Recentemente um amigo meu que não
sabia nem fritar um ovo ingressou num curso
de culinária para homens. Eu, surpresa, perguntei por que ele havia se
interessado por gastronomia aos quase 40 anos, sendo que até então ele não sabia nem a diferença entre o exaustor
e o forno de microondas. Ele me disse que ao me ouvir falar do meu prazer
pela culinária, ao ver a esposa e até mesmo seu filho pequeno se interessando
pelos prazeres de cima do fogão, ele resolveu arriscar-se nesta nova área. E está gostando.
E então tivemos um papo muito
bacana sobre o prazer de cozinhar. Para mim, cozinhar é:
- Alquimia. Poder de transformação. Química. Sinergia. Você pode
fazer algo bom ou ruim, mas qualquer que seja a comida a ser preparada, você
terá o poder de transformá-la ao misturar ingredientes, técnicas de preparo,
sabores. E isso é fantástico.
- Terapia. Tá nervoso? Vai para o fogão. Já contei para vocês a
história de como comecei a me interessar por culinária no meu primeiro post.
Minha mãe se rebelou com a cozinha quando eu era adolescente e eu tive que
assumir o comando do fogão, já que eu tinha um superapetite e queria comer.
Quando eu saí de casa, foi a vez do meu pai tomar as rédeas culinárias da casa.
Quando ele está estressado, vai para
casa mais cedo e faz o almoço. E isso acalma-o. E ele conta para as pessoas
sobre o prazer e a serenidade que o simples fato de preparar o almoço lhe dá.
Alquimia e poder de transformação, de novo.
- União. A comida une as pessoas. Já pararam para pensar que é muito mais prazeroso fazer uma
refeição na companhia de alguém do que sozinho? Embora o ato de comer seja
individual e intransferível, comer com alguém é muito melhor. Reunir pessoas
queridas ao redor da mesa é sinônimo de alegria e felicidade. E propiciar para
as pessoas que compartilhem de um alimento preparado por você, com a sua
dedicação, seu esforço e seu talento (seja ele grande ou pequeno, o que importa
é tentar) é extremamente gratificante. E, quando as pessoas experimentam e só
se ouve “hmmmmmm”, seguido por um “que delícia, está ótimo”, aí sim, é o êxtase!
- Humildade. Antes de colocar o avental, é preciso vestir-se com
humildade. Disponha-se a aprender. Você
terá que lidar com muitas frustrações, com pratos que não dão certo, ou que não
saem como o esperado, e a única forma de acertar é tentar. Mesmo os grandes
chefs cometem erros. Aprender a lidar com os erros e dispor-se a aperfeiçoar-se
com eles é uma arte, e a cozinha nos
mostra isso.
- Paciência. Cozinhar nos ensina a esperar. Se você quiser acelerar o
cozimento, corre o risco de comer “cru e
quente”, como diria a minha mãe. Você aprende que para tudo há um tempo, e isso se aplica tanto dentro quanto fora da
cozinha. A ansiedade mostra-se inimiga de um bom preparo, e aos poucos você
aprende a lidar com ela. E a levar este aprendizado para a vida.
- Prazer. Por todos os motivos acima e muitos outros! Cada percepção
é individual, cada um sente sua própria forma de prazer na cocção de um
alimento. E um dos meus prazeres no momento, além de cozinhar e comer, é dividir isso com vocês no blog.
Espero que tenham gostado!
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