quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Prazer de Cozinhar




Recentemente um amigo meu que não sabia nem fritar um ovo ingressou num curso de culinária para homens. Eu, surpresa, perguntei por que ele havia se interessado por gastronomia aos quase 40 anos, sendo que até então ele não sabia nem a diferença entre o exaustor e o forno de microondas. Ele me disse que ao me ouvir falar do meu prazer pela culinária, ao ver a esposa e até mesmo seu filho pequeno se interessando pelos prazeres de cima do fogão, ele resolveu arriscar-se nesta nova área. E está gostando.
E então tivemos um papo muito bacana sobre o prazer de cozinhar. Para mim, cozinhar é:

- Alquimia. Poder de transformação. Química. Sinergia. Você pode fazer algo bom ou ruim, mas qualquer que seja a comida a ser preparada, você terá o poder de transformá-la ao misturar ingredientes, técnicas de preparo, sabores. E isso é fantástico.

- Terapia. Tá nervoso? Vai para o fogão. Já contei para vocês a história de como comecei a me interessar por culinária no meu primeiro post. Minha mãe se rebelou com a cozinha quando eu era adolescente e eu tive que assumir o comando do fogão, já que eu tinha um superapetite e queria comer. Quando eu saí de casa, foi a vez do meu pai tomar as rédeas culinárias da casa. Quando ele está estressado, vai para casa mais cedo e faz o almoço. E isso acalma-o. E ele conta para as pessoas sobre o prazer e a serenidade que o simples fato de preparar o almoço lhe dá. Alquimia e poder de transformação, de novo.

- União. A comida une as pessoas. Já pararam para pensar que é muito mais prazeroso fazer uma refeição na companhia de alguém do que sozinho? Embora o ato de comer seja individual e intransferível, comer com alguém é muito melhor. Reunir pessoas queridas ao redor da mesa é sinônimo de alegria e felicidade. E propiciar para as pessoas que compartilhem de um alimento preparado por você, com a sua dedicação, seu esforço e seu talento (seja ele grande ou pequeno, o que importa é tentar) é extremamente gratificante. E, quando as pessoas experimentam e só se ouve “hmmmmmm”, seguido por um “que delícia, está ótimo”, aí sim, é o êxtase!



- Humildade. Antes de colocar o avental, é preciso vestir-se com humildade. Disponha-se a aprender. Você terá que lidar com muitas frustrações, com pratos que não dão certo, ou que não saem como o esperado, e a única forma de acertar é tentar. Mesmo os grandes chefs cometem erros. Aprender a lidar com os erros e dispor-se a aperfeiçoar-se com eles é uma arte, e a cozinha nos mostra isso.

- Paciência. Cozinhar nos ensina a esperar. Se você quiser acelerar o cozimento, corre o risco de comer “cru e quente”, como diria a minha mãe. Você aprende que para tudo há um tempo, e isso se aplica tanto dentro quanto fora da cozinha. A ansiedade mostra-se inimiga de um bom preparo, e aos poucos você aprende a lidar com ela. E a levar este aprendizado para a vida.


- Prazer. Por todos os motivos acima e muitos outros! Cada percepção é individual, cada um sente sua própria forma de prazer na cocção de um alimento. E um dos meus prazeres no momento, além de cozinhar e comer, é dividir isso com vocês no blog.

Espero que tenham gostado!


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