Estávamos
numa roda de amigos, muitos dos quais bastante viajados, e eis que descubro que
vários deles não conheciam “macarons”.
Na hora, pensei: isso vai virar um post para meu blog, certamente.
Para
começar: macarons não tem nada a ver com macarrão. O primeiro é um
biscoito doce, o segundo é uma massa. Não confunda um com o outro. A pronúncia
e a escrita são diferentes.
Vamos
começar pelo básico: pronuncia-se ‘macarrons,’ em português, com som de RR,
pois vem do francês, e, além disso, meu cérebro não me deixa falar macarons com som de R, fica muito feio!
Eu
descreveria-o como um biscoito com uma
textura única, uma mistura de merengue + bolo + biscoito, mas não é nenhum
dos três. Só quem prova entende o que quero dizer. São crocantes por fora e macios por dentro. Tem um recheio cremoso, que varia conforme o sabor escolhido. Existem vários sabores de macarons, e por conseqüência eles se apresentam em muitas cores.
Existe
um ingrediente diferente e pouco conhecido no Brasil que vai na receita dos macarons, que é a farinha de amêndoa. Não é fácil de encontrá-la, mas em Caxias do
Sul já existem lugares que vendem-na. Não é um ingrediente barato, o que
contribui para que os macarons sejam
um produto elitizado.
Em Caxias, até
hoje o único lugar em que encontrei macarons
para vender foi na Sweez (https://www.facebook.com/sweez),
confeitaria que fica no bairro São Pelegrino (Rua Coronel Flores, 749, sala 3).
O custo é R$ 2,50 por macaron (valor
em janeiro de 2013).Parabéns aos proprietários por trazerem esta delícia para a
serra gaúcha, adoramos!
No ano passado (2012), foi
oferecido curso de macarons para
leigos, na Escola de Gastronomia Sal a
Gosto (http://www.escolasalagosto.com.br/),
que fica na minha querida cidade. Eu infelizmente não pude participar naquela
ocasião, mas penso em fazer se o curso for oferecido novamente, embora eu saiba que é difícil de
conseguir reproduzir a receita em casa. Como eu sou metida, eu gosto de saber
como as coisas são feitas. Então mesmo que eu nunca vá fazer em casa, me dá
prazer de provar um alimento e saber o processo pelo qual ele passou até chegar
ao meu prato, e isso leva-me a valorizar ainda mais o que estou saboreando.
Adriano Medeiros,
formado em gastronomia pela UCS/ICIF, contou-me que precisou fazer 12 vezes a receita de macarons até conseguir executá-la com maestria. Disse que é difícil
acertar o ponto da massa, e como ele tem muitos equipamentos, batederias,
fornos, e também é muito perfeccionista, foram necessários vários testes até
conseguir chegar ao macaron perfeito.
Mas quando conseguiu, o prazer foi enorme! E eu acredito plenamente nisso, caro
Adriano.
Como a maioria das
preparações clássicas, a origem do macaron não é clara e tem séculos de
história. Apesar do nome francês, acredita-se que a receita original seja
italiana, e tenha surgido em algum monastério, sem uma data precisa - o nome macaron derivaria
do italiano maccherone e do veneziano macarone (massa).
Somente durante a
Renascença, Catarina de Médici, ao casar-se com Henrique, Duque de Orleans,
leva essa iguaria à Corte Francesa. Já os franceses clamam que a receita já era
confeccionada anteriormente nos monastérios de Cormery, França, desde o ano de
791. De uma forma ou de outra, no início os macarons
eram apenas "biscoitos" de amêndoas sem qualquer recheio.
Durante o séc. XVII
os macarons foram comumente
confeccionados pelas Carmelitas, que seguiram os princípios de Theresa D’Ávila:
“Amêndoas são boas para as jovens que não comem carne.” Durante a Revolução
Francesa, duas freiras especializaram-se no preparo e comercialização dos macarons, tornaram-se famosas e passaram
a ser chamadas de Souers Macaron (Irmãs Macaron).
Já no séc. XX,
Pierre Desfontaines, fundador da famosa Pâtisserie
Ladurée introduz um recheio cremoso aos macarons, que assumem assim a forma
como o conhecemos atualmente.
Independentemente
da origem, os macarons resistem até
hoje e figuram nas melhores confeitarias do Brasil e do mundo.
Recentemente
abriu em São Paulo uma unidade da confeitaria francesa Ladurée, no Shopping JK
Iguatemi. Um amigo me disse que um macaron
lá custa R$ 9,00 (dado de 2012).
Para mim, este
biscoitinho peculiar é ideal para acompanhar um cafezinho à tarde. Sabe aqueles
dias em que você está louco por um doce? Pois bem, esse é o dia de comer macarons. Depois que você experimentar o
primeiro, irá querer sempre mais e mais. A maioria das pessoas realmente adora
este item único da gastronomia francesa.
Minha dica: se
vocês forem experimentar macarons, não comam, degustem. Sintam a textura, que
para mim é quase mais interessante que o gosto. Prestem atenção nos sabores.
Valorizem este doce que foi muito bem preparado e demorou até chegar no seu
prato. Mastiguem devagar. Prestem atenção em cada sensação que ele lhe dá dentro
da boca. E, aí sim, chamem o garçom e peçam mais um, porque vale à pena.
Referências:
Confeitaria
Sódoces, de Flavio Federico
Larousse
Gastronomique

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