quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Macarons, que delícia!



Estávamos numa roda de amigos, muitos dos quais bastante viajados, e eis que descubro que vários deles não conheciam “macarons”. Na hora, pensei: isso vai virar um post para meu blog, certamente. 
Para começar: macarons não tem nada a ver com macarrão. O primeiro é um biscoito doce, o segundo é uma massa. Não confunda um com o outro. A pronúncia e a escrita são diferentes.
Vamos começar pelo básico: pronuncia-se ‘macarrons,’ em português, com som de RR, pois vem do francês, e, além disso, meu cérebro não me deixa falar macarons com som de R, fica muito feio!  
Eu descreveria-o como um biscoito com uma textura única, uma mistura de merengue + bolo + biscoito, mas não é nenhum dos três. Só quem prova entende o que quero dizer. São crocantes por fora e macios por dentro. Tem um recheio cremoso, que varia conforme o sabor escolhido. Existem vários sabores de macarons, e por conseqüência eles se apresentam em muitas cores.
Existe um ingrediente diferente e pouco conhecido no Brasil que vai na receita dos macarons, que é a farinha de amêndoa. Não é fácil de encontrá-la, mas em Caxias do Sul já existem lugares que vendem-na. Não é um ingrediente barato, o que contribui para que os macarons sejam um produto elitizado.
Em Caxias, até hoje o único lugar em que encontrei macarons para vender foi na Sweez (https://www.facebook.com/sweez), confeitaria que fica no bairro São Pelegrino (Rua Coronel Flores, 749, sala 3). O custo é R$ 2,50 por macaron (valor em janeiro de 2013).Parabéns aos proprietários por trazerem esta delícia para a serra gaúcha, adoramos!
No ano passado (2012), foi oferecido curso de macarons para leigos, na Escola de Gastronomia Sal a Gosto (http://www.escolasalagosto.com.br/), que fica na minha querida cidade. Eu infelizmente não pude participar naquela ocasião, mas penso em fazer se o curso for oferecido novamente, embora eu saiba que é difícil de conseguir reproduzir a receita em casa. Como eu sou metida, eu gosto de saber como as coisas são feitas. Então mesmo que eu nunca vá fazer em casa, me dá prazer de provar um alimento e saber o processo pelo qual ele passou até chegar ao meu prato, e isso leva-me a valorizar ainda mais o que estou saboreando.
Adriano Medeiros, formado em gastronomia pela UCS/ICIF, contou-me que precisou fazer 12 vezes a receita de macarons até conseguir executá-la com maestria. Disse que é difícil acertar o ponto da massa, e como ele tem muitos equipamentos, batederias, fornos, e também é muito perfeccionista, foram necessários vários testes até conseguir chegar ao macaron perfeito. Mas quando conseguiu, o prazer foi enorme! E eu acredito plenamente nisso, caro Adriano.
Como a maioria das preparações clássicas, a origem do macaron não é clara e tem séculos de história. Apesar do nome francês, acredita-se que a receita original seja italiana, e tenha surgido em algum monastério, sem uma data precisa - o nome macaron derivaria do italiano maccherone e do veneziano macarone (massa).
Somente durante a Renascença, Catarina de Médici, ao casar-se com Henrique, Duque de Orleans, leva essa iguaria à Corte Francesa. Já os franceses clamam que a receita já era confeccionada anteriormente nos monastérios de Cormery, França, desde o ano de 791. De uma forma ou de outra, no início os macarons eram apenas "biscoitos" de amêndoas sem qualquer recheio.
Durante o séc. XVII os macarons foram comumente confeccionados pelas Carmelitas, que seguiram os princípios de Theresa D’Ávila: “Amêndoas são boas para as jovens que não comem carne.” Durante a Revolução Francesa, duas freiras especializaram-se no preparo e comercialização dos macarons, tornaram-se famosas e passaram a ser chamadas de Souers Macaron (Irmãs Macaron).
Já no séc. XX, Pierre Desfontaines, fundador da famosa Pâtisserie Ladurée introduz um recheio cremoso aos macarons, que assumem assim a forma como o conhecemos atualmente.
Independentemente da origem, os macarons resistem até hoje e figuram nas melhores confeitarias do Brasil e do mundo.
Recentemente abriu em São Paulo uma unidade da confeitaria francesa Ladurée, no Shopping JK Iguatemi. Um amigo me disse que um macaron lá custa R$ 9,00 (dado de 2012).
Para mim, este biscoitinho peculiar é ideal para acompanhar um cafezinho à tarde. Sabe aqueles dias em que você está louco por um doce? Pois bem, esse é o dia de comer macarons. Depois que você experimentar o primeiro, irá querer sempre mais e mais. A maioria das pessoas realmente adora este item único da gastronomia francesa.
Minha dica: se vocês forem experimentar macarons, não comam, degustem. Sintam a textura, que para mim é quase mais interessante que o gosto. Prestem atenção nos sabores. Valorizem este doce que foi muito bem preparado e demorou até chegar no seu prato. Mastiguem devagar. Prestem atenção em cada sensação que ele lhe dá dentro da boca. E, aí sim, chamem o garçom e peçam mais um, porque vale à pena.

Referências:
Confeitaria Sódoces, de Flavio Federico
Larousse Gastronomique

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