sábado, 12 de janeiro de 2013

Roberta Matias = Eduardo Martins


Vou contar para vocês uma história que aconteceu comigo há alguns anos. Fui passar um final de semana em Curitiba, para visitar meu então namorado, que estava morando lá. No domingo eu tinha que voltar para Caxias, pois na segunda de manhã eu trabalhava. Na época era empregada de uma agência de viagens, ainda não tinha a minha própria agência.
Eu mesma emiti a minha passagem Curitiba/Porto Alegre, com a Tam. O vôo era no final da tarde. Cheguei ao aeroporto com uma hora e meia de antecedência. Como sou muito prevenida, apesar de hoje em dia só existir bilhete eletrônico e não ser obrigatório levá-lo impresso, dei-me o trabalho de imprimir, e coloquei-o no bolso externo da minha mala. No check in, apresentei apenas a minha identidade e informei o vôo em que eu estava. Peguei o cartão de embarque, sem olhar, e coloquei-o na minha carteira. Despedi-me do meu namorado e fui para o portão de embarque.
Quando estava prestes a entrar no avião, peguei o cartão de embarque para olhar a minha poltrona. Eu havia marcado assento janela para mim, porém, ao olhar o cartão de embarque vejo que a poltrona marcada era a 13E, que é o assento do meio. Na hora, pensei “putz, a moça do check in deve ter trocado o meu assento e não percebi”. Aí olhei com mais atenção para meu cartão de embarque, e levei um baita susto: EDUARDO MARTINS. Eis que meu nome é Roberta Matias. Martins é parecido com Matias, certo? Presumo eu que a moça tenha procurado a minha reserva pelo sobrenome, achou um “Martins” no vôo, e nem sequer viu que era um nome de homem. Ela fez meu check in como “Eduardo Martins”. Ao perceber o erro, imediatamente procurei o pessoal de terra da Tam e informei sobre o engano, e pedi para que trocassem meu cartão de embarque, pois não queria problemas com as minhas malas, e queria que contasse as minhas milhas direitinho. A atendente da Tam disse que o vôo iria atrasar se eles tivessem que refazer meu check in e que era para eu entrar no avião com aquele cartão de embarque mesmo. Insisti, mas ela categoricamente negou. Perguntei “ok, onde eu sento então? Na janela que eu tinha reservado para mim ou neste assento 13E?”. Ela disse para eu sentar na poltrona 13E.
Entrei no avião, que estava lotado. Ao chegar na poltrona 13E, adivinhem quem estava lá? Ele mesmo... EDUARDO MARTINS! Quase caí pra trás. Fizeram dois check ins para o Eduardo (um para mim e um para ele). Consideraram que Roberta Matias deu no show (não compareceu ao vôo) e venderam meu assento para outra pessoa. Ou seja, não tinha mais lugar para mim naquele avião. Eu bati o pé e disse que eu estava naquele vôo sim, que aquela situação era um absurdo. Então pediram para ver meu bilhete. Eu disse que estava na mala, que por sua vez estava no bagageiro do avião. Como eu já tinha feito o check in, não pensei que pudesse precisar do bilhete para nada, então despachei-o junto com a mala.
Neste momento entra um segurança da Tam, me pega pelo braço e me tira do avião. Foi muito constrangedor. Peguei o celular na mão para fazer uma ligação e ele disse, muito grosseiramente, que era proibido usar telefones naquela área do aeroporto. Implorei para pelo menos tirarem a minha mala de dentro do avião, já que a essas alturas eu tinha perdido a esperança de ir naquele vôo. Pelo menos isso eles fizeram. Passei meia hora explicando o que tinha acontecido, até que finalmente um supervisor da Tam veio me pedir desculpas e a moça que fez meu check in errado veio chorando me pedir perdão. Por sorte, eu estava em uma época muito feliz da minha vida e fiquei toda faceira de ficar um dia a mais em Curitiba com o namorado. Fui acomodada em um outro vôo somente no dia seguinte, que por sua vez atrasou, cheguei no trabalho às 16h, levei uma baita mijada da minha ex-chefe. Não processei a Tam porque não tinha testemunhas do que aconteceu, já que as elas foram embora junto com o vôo do qual os funcionários da cia. aérea me tiraram.
Então, meus amigos, desde este episódio, sempre que eu faço check in eu olho se é mesmo o meu nome que está escrito, se o vôo está certo e se a poltrona está marcada corretamente.
Por mais que a gente tenha tecnologias e sistemas cada vez mais avançadas, não podemos esquecer que são seres humanos que estão operando as máquinas, e que erros podem acontecer. E que prevenir nunca é demais.

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