Vou contar para vocês uma
história que aconteceu comigo há alguns anos. Fui passar um final de semana em
Curitiba, para visitar meu então namorado, que estava morando lá. No domingo eu
tinha que voltar para Caxias, pois na segunda de manhã eu trabalhava. Na época
era empregada de uma agência de viagens, ainda não tinha a minha própria agência.
Eu mesma emiti a minha passagem
Curitiba/Porto Alegre, com a Tam. O vôo era no final da tarde. Cheguei ao
aeroporto com uma hora e meia de antecedência. Como sou muito prevenida, apesar
de hoje em dia só existir bilhete eletrônico e não ser obrigatório levá-lo
impresso, dei-me o trabalho de imprimir, e coloquei-o no bolso externo da minha
mala. No check in, apresentei apenas a minha identidade e informei o vôo em que
eu estava. Peguei o cartão de embarque, sem olhar, e coloquei-o na minha
carteira. Despedi-me do meu namorado e fui para o portão de embarque.
Quando estava prestes a entrar no
avião, peguei o cartão de embarque para olhar a minha poltrona. Eu havia
marcado assento janela para mim, porém, ao olhar o cartão de embarque vejo que
a poltrona marcada era a 13E, que é o assento do meio. Na hora, pensei “putz, a
moça do check in deve ter trocado o meu assento e não percebi”. Aí olhei com
mais atenção para meu cartão de embarque, e levei um baita susto: EDUARDO
MARTINS. Eis que meu nome é Roberta Matias. Martins é parecido com Matias,
certo? Presumo eu que a moça tenha procurado a minha reserva pelo sobrenome,
achou um “Martins” no vôo, e nem sequer viu que era um nome de homem. Ela fez
meu check in como “Eduardo Martins”. Ao perceber o erro, imediatamente procurei
o pessoal de terra da Tam e informei sobre o engano, e pedi para que trocassem
meu cartão de embarque, pois não queria problemas com as minhas malas, e queria
que contasse as minhas milhas direitinho. A atendente da Tam disse que o vôo
iria atrasar se eles tivessem que refazer meu check in e que era para eu entrar
no avião com aquele cartão de embarque mesmo. Insisti, mas ela categoricamente
negou. Perguntei “ok, onde eu sento então? Na janela que eu tinha reservado
para mim ou neste assento 13E?”. Ela disse para eu sentar na poltrona 13E.
Entrei no avião, que estava
lotado. Ao chegar na poltrona 13E, adivinhem quem estava lá? Ele mesmo...
EDUARDO MARTINS! Quase caí pra trás. Fizeram dois check ins para o Eduardo (um
para mim e um para ele). Consideraram que Roberta Matias deu no show (não
compareceu ao vôo) e venderam meu assento para outra pessoa. Ou seja, não tinha
mais lugar para mim naquele avião. Eu bati o pé e disse que eu estava naquele
vôo sim, que aquela situação era um absurdo. Então pediram para ver meu
bilhete. Eu disse que estava na mala, que por sua vez estava no bagageiro do
avião. Como eu já tinha feito o check in, não pensei que pudesse precisar do bilhete para nada, então despachei-o junto com a mala.
Neste momento entra um segurança da Tam, me pega pelo braço e me tira do
avião. Foi muito constrangedor. Peguei o celular na mão para fazer uma ligação
e ele disse, muito grosseiramente, que era proibido usar telefones naquela área
do aeroporto. Implorei para pelo menos tirarem a minha mala de dentro do avião,
já que a essas alturas eu tinha perdido a esperança de ir naquele vôo. Pelo
menos isso eles fizeram. Passei meia hora explicando o que tinha acontecido,
até que finalmente um supervisor da Tam veio me pedir desculpas e a moça que
fez meu check in errado veio chorando me pedir perdão. Por sorte, eu estava em
uma época muito feliz da minha vida e fiquei toda faceira de ficar um dia a
mais em Curitiba com o namorado. Fui acomodada em um outro vôo somente no dia
seguinte, que por sua vez atrasou, cheguei no trabalho às 16h, levei uma baita
mijada da minha ex-chefe. Não processei a Tam porque não tinha testemunhas do
que aconteceu, já que as elas foram embora junto com o vôo do qual os
funcionários da cia. aérea me tiraram.
Então, meus amigos, desde este
episódio, sempre que eu faço check in eu olho se é mesmo o meu nome que está
escrito, se o vôo está certo e se a poltrona está marcada corretamente.
Por mais que a gente tenha
tecnologias e sistemas cada vez mais avançadas, não podemos esquecer que são
seres humanos que estão operando as máquinas, e que erros podem acontecer. E
que prevenir nunca é demais.
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