quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Prazer de Cozinhar




Recentemente um amigo meu que não sabia nem fritar um ovo ingressou num curso de culinária para homens. Eu, surpresa, perguntei por que ele havia se interessado por gastronomia aos quase 40 anos, sendo que até então ele não sabia nem a diferença entre o exaustor e o forno de microondas. Ele me disse que ao me ouvir falar do meu prazer pela culinária, ao ver a esposa e até mesmo seu filho pequeno se interessando pelos prazeres de cima do fogão, ele resolveu arriscar-se nesta nova área. E está gostando.
E então tivemos um papo muito bacana sobre o prazer de cozinhar. Para mim, cozinhar é:

- Alquimia. Poder de transformação. Química. Sinergia. Você pode fazer algo bom ou ruim, mas qualquer que seja a comida a ser preparada, você terá o poder de transformá-la ao misturar ingredientes, técnicas de preparo, sabores. E isso é fantástico.

- Terapia. Tá nervoso? Vai para o fogão. Já contei para vocês a história de como comecei a me interessar por culinária no meu primeiro post. Minha mãe se rebelou com a cozinha quando eu era adolescente e eu tive que assumir o comando do fogão, já que eu tinha um superapetite e queria comer. Quando eu saí de casa, foi a vez do meu pai tomar as rédeas culinárias da casa. Quando ele está estressado, vai para casa mais cedo e faz o almoço. E isso acalma-o. E ele conta para as pessoas sobre o prazer e a serenidade que o simples fato de preparar o almoço lhe dá. Alquimia e poder de transformação, de novo.

- União. A comida une as pessoas. Já pararam para pensar que é muito mais prazeroso fazer uma refeição na companhia de alguém do que sozinho? Embora o ato de comer seja individual e intransferível, comer com alguém é muito melhor. Reunir pessoas queridas ao redor da mesa é sinônimo de alegria e felicidade. E propiciar para as pessoas que compartilhem de um alimento preparado por você, com a sua dedicação, seu esforço e seu talento (seja ele grande ou pequeno, o que importa é tentar) é extremamente gratificante. E, quando as pessoas experimentam e só se ouve “hmmmmmm”, seguido por um “que delícia, está ótimo”, aí sim, é o êxtase!



- Humildade. Antes de colocar o avental, é preciso vestir-se com humildade. Disponha-se a aprender. Você terá que lidar com muitas frustrações, com pratos que não dão certo, ou que não saem como o esperado, e a única forma de acertar é tentar. Mesmo os grandes chefs cometem erros. Aprender a lidar com os erros e dispor-se a aperfeiçoar-se com eles é uma arte, e a cozinha nos mostra isso.

- Paciência. Cozinhar nos ensina a esperar. Se você quiser acelerar o cozimento, corre o risco de comer “cru e quente”, como diria a minha mãe. Você aprende que para tudo há um tempo, e isso se aplica tanto dentro quanto fora da cozinha. A ansiedade mostra-se inimiga de um bom preparo, e aos poucos você aprende a lidar com ela. E a levar este aprendizado para a vida.


- Prazer. Por todos os motivos acima e muitos outros! Cada percepção é individual, cada um sente sua própria forma de prazer na cocção de um alimento. E um dos meus prazeres no momento, além de cozinhar e comer, é dividir isso com vocês no blog.

Espero que tenham gostado!


terça-feira, 14 de maio de 2013

Por que comprar com um agente de viagens?



Muitas pessoas me perguntam como as agências sobrevivem na era da internet, já que é muito fácil comprar uma passagem, reservar um hotel ou um carro pela internet.
Realmente, é fácil, admito. Até que você tenha um problema que não consiga resolver ou que não teria caso tivesse comprado em uma agência de viagens. É aí que realmente fazemos a diferença. Os agentes deixaram de ser meros emissores, e passaram a ser de fato CONSULTORES de viagem, principalmente após o “boom” dos sites que disponibilizam a compra de viagens online. Um bom consultor de viagens sobrevive perfeitamente, mesmo com a concorrência desleal destes sites.
- O agente irá lhe dizer qual é a melhor localização de hotel (e isso é fundamental numa viagem), irá lhe passar opções, você não irá perder tempo procurando (afinal, esse é o trabalho dele).
- O agente terá uma análise pronta de qual é a melhor opção de vôo, pois conseguimos montar via sistema opções diferentes das oferecidas no site das cias, e, além disso, ao passo que você procura no site de apenas uma ou duas cias, nós temos acesso a todas as cias que voam para aquele destino.
-  Iremos lhe oferecer uma locação de carro com quilometragem livre e seguro total (e muitas vezes a diferença do preço da locação está justamente no seguro, não adianta você pagar barato e ter um seguro minúsculo).
- Podemos lhe dar uma opção de transfer para você se sentir mais seguro e tranquilo ao chegar no destino, já que há destinos potencialmente perigosos (inclusive pegar táxi pode ser perigoso ou inviável), e você nem faz ideia disso. Não pense que ao chegar na China, por exemplo, você conseguirá pegar um táxi e ir rapidinho ao hotel. Muitos motoristas não entendem nosso alfabeto, e, a menos que você tenha o nome e endereço do hotel escrito com caracteres chineses, você não irá a lugar algum.
- Você comprou aquele hotel no site bem baratinho, muito mais barato que em qualquer outro lugar. Está feliz da vida. Porém, chegou lá e descobriu que o valor que te cobraram é muito superior ao anunciado no site. E aí, você vai reclamar com quem? Com a “internet”? Procure no google e verá que há muitas reclamações neste sentido. Se tivesse comprado em uma agência séria, eles teriam honrado o preço passado a você, e ainda lhe ajudariam a resolver o problema, caso houvesse.
- Você não ficará nem um pouco feliz ao descobrir que não poderá embarcar para o seu tão sonhado destino porque comprou pela internet e a ela não lhe avisou sobre a necessidade de alguma vacina, visto, seguro obrigatório, validade mínima de passaporte ou alguma outra documentação que se faça necessária. E aí, você vai ligar para quem, para resolver? Para a “internet”? Não, você vai ligar para seu pai, ou mãe, ou marido, ou filho, para virem lhe buscar no aeroporto, pois sua viagem não vai sair.
- Você nem cogitou a hipótese de fazer seguro viagem, já que apenas viu um anúncio de seguro no site onde comprou sua viagem, e pensou “ah, não vou gastar com bobagem”. Aí você chega no destino, torce o pé, e descobre que tem que pagar EUR 300,00 (na Europa) por uma consulta médica particular, sem contar os exames. O seu agente de viagens teria lhe explicado a importância do seguro com exemplos como esse, e teria feito você ao menos refletir a respeito.
- Você economizou USD 300 (valor exemplificativo, apenas) na sua viagem de lua-de-mel comprada online e está feliz da vida com a economia. Porém, ninguém lhe avisou que neste período é época de furacões, ou de chuva, ou de vendavais. Triste, muito triste. A internet é muito má! Seu agente de viagens teria lhe orientado sobre a melhor época para visitar cada destino, e teria lhe oferecido outra opção de local que não lhe trouxesse a possibilidade de maiores transtornos pelas intempéries de São Pedro.
- Você comprou uma baita viagem, por um preço incrível, está radiante. Até que chega a fatura do cartão, com o valor debitado dobrado. Prepare a “Neosaldina”, pois a dor de cabeça vai ser grande. Considere-se sortudo se você conseguir resolver sem ter que ir à justiça. Sistemas não são perfeitos, eles erram, e a diferença entre comprar com uma pessoa capacitada ou em um site se fará presente na sua mente e em seu bolso. Nós temos um canal de comunicação muito mais eficiente com nossos fornecedores do que qualquer site, e estamos interessados em lhe ajudar a resolver o problema.
- Você resolveu fazer um visto pela internet, já que não quis pagar o serviço de agência/despachante. Pode ser que dê tudo certo, assim como pode ser que não. Com visto não se brinca, NUNCA. O despachante saberá a forma correta de preencher cada item do formulário, e lhe orientaremos sobre isso. Se você preencher de forma incorreta algum campo (cada consulado tem uma exigência diferente de preenchimento), ou se deixar de apresentar algum documento ou informação por inexperiência, o preço que você pagará será caro, muito caro, pois ter um visto negado implica em muito mais coisas do que apenas ter gastado dinheiro. É péssimo e é algo que ficará marcado por toda a sua vida.

Estes são apenas alguns exemplos do porquê nós, agências, ainda estamos ativas no mercado do turismo. Muitos clientes que se arriscaram a comprar pela internet acabam voltando para a agência por entender a importância de uma consultoria. Isso acontece todos os dias, e é por isso que não vimos agências fechando as portas, mesmo que seus clientes tenham tido acesso à compra de viagens online.
Quem valoriza o serviço de um agente de viagens merece todo meu respeito e reconhecimento. Quem consegue enxergar além de uma cifra está mais do que de parabéns. Nós, agentes, somos remunerados através de comissão ou de taxa de serviço, e temos muitos clientes que pagam-nos sem pestanejar, justamente por entender perfeitamente o conteúdo deste texto, feito, neste momento, em forma de desabafo, já que apesar de muita gente reconhecer o nosso trabalho, outras tantas pessoas não conseguem entender o valor de um serviço especializado e bem feito.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Arrumando as Malas para as Férias



Passagens aéreas emitidas, hotel reservado, transfers programados, seguro viagem escolhido... Sua viagem está comprada! Agora só falta esperar o dia do embarque, certo? Errado... Antes disso, você ainda tem que passar por uma tarefa chata, mas necessária: arrumar as malas.
Resolvi compartilhar com vocês algumas dicas básicas de como eu arrumo minhas malas para tentar facilitar a vida de quem, como eu, detesta ter que colocar roupas, acessórios, sapatos, etc., dentro de um espaço pequeno, e pensar em tudo que você pode a vir precisar nos seus preciosos dias de viagem.

1) Passo número um: saiba como será o tempo de antemão. Se você vai para o exterior, tenha em mente que o hemisfério sul tem as mesmas estações que no Brasil, porém, no hemisfério norte é o oposto, ou seja, quando é verão aqui, é inverno lá, e quando é primavera aqui, é outono lá, e vice-versa. Uns dias antes da viagem, cheque a previsão do tempo de cada um dos lugares que você vai visitar. Informe-se se é período de chuvas, se o local é úmido ou seco, e qual a temperatura média na época da viagem. Estas informações são facilmente encontradas no Google. Eu tenho dois aplicativos de previsão do tempo no celular, e ainda assim olho alguns sites (WWW.weather.comWWW.climatempo.com.br ).

2)      Por mais que seja quente, leve sempre um agasalho, pois o ar condicionado dentro dos lugares fechados pode ser muito frio (o do avião, especialmente), e, mesmo que seja frio, leve uma blusa mais leve para colocar por baixo, pelo mesmo motivo: a calefação pode ser muito quente, e você vai precisar se livrar das roupas pesadas nos locais fechados.

3)      Faça uma lista das coisas que precisa levar, e salve-a no computador. Para viagens futuras, você já terá a lista básica do que precisa, e só terá que acrescentar ou tirar algumas coisas. Além disso, a lista ajudará você a visualizar o que irá levar e verificar se pegou tudo que precisava.

4)      Dizem que quanto mais uma pessoa viaja, menor é a mala dela. Bem, eu ainda não consegui chegar lá, pois nunca consigo fazer uma mala pequena. Minha mala para 1 semana é do mesmo tamanho da mala para 1 final de semana. Então eu sempre acabo levando pelo menos 1 mala média, com as coisas básicas que preciso. Eu conto o número de dias que irei ficar e calculo um look por dia, da seguinte forma:

- Levo peças lisas, preferencialmente, já que são mais fáceis de combinar, e escolho peças que combinem entre si.
- Antes de colocá-las na mala, eu provo as combinações. Dá um pouco de trabalho, mas não me arrependo, pois esta foi a forma que encontrei de conseguir levar menos coisas.
- Independentemente do nº de dias da viagem, eu levo no mínimo 2 calças (normalmente jeans, que ficam bem com tudo), já que levar uma só é arriscado, pois vc pode sujá-la. Caminhar faz a gente suar, então esse é outro bom motivo para levar pelo menos duas.
- Procuro portar blusas que eu possa combinar tanto com tênis quando incrementar com um cinto legal e sapatilha, caso eu queira um look mais bacana. Atualmente eu só levo salto se eu tiver algum programa mais formal, pois perdi a conta de quantas vezes já levei e não usei. Nas férias, quero dar férias para meus pés, e a regra número um é conforto!
- Jaqueta jeans também sempre entra na minha mala (ou branca, ou jeans tradicional), já que eu acho lindo e também combina com tudo.
- Blusas: uma por dia que ficarei lá.
- Calcinhas: no mínimo uma por dia de viagem, já que muitas vezes mandar lavar no hotel pode custar tanto quanto comprar uma peça nova (especialmente nos EUA).
- Sutiã/meia: é muito pessoal, mas como gosto de combinar a cor do sutiã com a blusa, eu levo de acordo com as cores das roupas. Meias sempre estão na minha mala, e o número depende muito do tempo que fará lá, já que se for quente, vou usar chinelo, e, por conseqüência, menos meias.
- Cinto: pelo menos um, geralmente de uma cor neutra (dourado ou preto), para dar um charme na roupa.
- Sapatos/tênis/chinelo: essa é sempre a parte mais complicada da minha mala, pois ocupam espaço e tenho que selecioná-los bem. Cores neutras, sempre que possível (em geral, preto, pois alem de combinar com tudo, suja menos). Tênis é o que mais uso, já que descobri à duras penas (e muitas bolhas) que não tem calçado melhor para quem vai caminhar bastante. De preferência, de couro, pois se chover, tênis de tecido é uma furada, vai ficar molhado e a chance de pegar uma gripe por isso é grande. Sapatilhas podem até ser bonitas, mas meus pezinhos não agüentam horas de caminhada com elas. Chinelo: faça calor ou frio, sempre levo pelo menos um, nem que seja para ficar dentro do quarto do hotel.
Hoje em dia alpargatas são uma boa opção, pois são confortáveis e super modernas.
- Shorts/vestido/biquíni: depende do tema das férias, e da temperatura, mas é sempre bom ter em locais quentes.
- Agasalhos pesados (blusas de lã, jaquetas, casacos, luvas e gorros): o que você mais vai sujar é a blusa de baixo, a que está colada na pele, pois você vai transpirar e vai precisar trocá-la mais vezes. Como os agasalhos pesados ocupam mais espaço, eu levo poucos (2 ou 3 blusões, no máximo, e 1 ou 2 jaquetas pesadas). Cores neutras, sempre, e preferencialmente escuras. Casaquinhos de malha são muito bem-vindos, pois não ocupam muito espaço e caso você esteja com calor, pode tirá-los e guardá-los na bolsa. Casaco de couro é uma ótima pedida em dias chuvosos ou com muito vento!  Luvas e gorros são essenciais em locais frios, pois você passará muito tempo na rua.
- Levo no mínimo um cachecol ou lenço, porque eu amo o charme que ele dá.
- Guarda-chuva: se eu levar daqui, será, certamente, um pequeno. Mas normalmente deixo para comprá-lo no destino, caso chova.
- Kit-banheiro: xampus, condicionador, cremes, escova de cabelo, secador, chapinha, escova de dentes, fio dental. E o que mais você usar no dia-a-dia.
- Acessórios:  alguns brincos, pulseiras e anéis, também neutros e fáceis de combinar.
- Traje formal (terninho ou vestido longo): só levo caso tenha algum compromisso que o exija. Caso você faça um cruzeiro, o vestido longo é obrigatório no jantar com o capitão. Se o cruzeiro for de curta duração (até 1 semana), um vestido é suficiente, mas se for mais 1 semana, é melhor levar pelo menos dois vestidos longos.

5)      Número de malas: depende do propósito da viagem. Se você não vai fazer compras, uma mala é mais que suficiente, e bem mais fácil de carregar. Se o objetivo é fazer compras (em viagens para os EUA, por exemplo, em que é quase impossível não consumir), você pode ir com duas malas desde o Brasil, ou então ir com uma e comprar outra lá. Se a viagem for de compras, é preferível que você leve uma mala grande, já que fica bem mais fácil de organizá-la.

6)       Não esqueça de verificar qual é a franquia de bagagem permitida para o destino por cada cia. aérea ou marítima. Lembre-se que em períodos de alta estação ou grande ocupação há cias. aéreas que praticam embargo (ou seja, não transportam excesso de peso). Já vi pessoas chorando e deixando coisas nos aeroportos pelo fato de a cia. recusar-se a transportar o excesso. Muita atenção quanto a isso! Eles não são obrigados a transportar excesso. E, além disso, cabe verificar o valor do excesso de bagagem, que muitas vezes pode tornar-se inviável financeiramente. Cada cia. aérea pratica uma política de cobrança de excesso. Quem tem cartões fidelidade intermediários e top, muitas vezes, tem permissão para levar bagagem extra. De qualquer forma, isso tem que ser verificado a cada viagem. O Brasil é um dos países com maior permissão de franquia de bagagem do mundo atualmente, sabiam? No exterior, há cias. que cobram por mala despachada.

7)      Saiba sempre qual é a marca da sua mala, cor, e tamanho, pois, caso sua bagagem não chegue, a cia. aérea irá lhe perguntar estes detalhes.

8)      SEMPRE, SEMPRE, SEMPRE identifique sua mala por fora, com seu nome, sobrenome, telefone e endereço. Na ida, coloque uma etiqueta com o endereço do destino, e, na volta, troque a etiqueta por outra com o seu endereço aqui. Tenha em mãos o endereço do local que você vai ficar lá, para poder informar à cia.

9)      Quando fizer o check in, confira a etiqueta que eles colam na mala, que contem a sigla do aeroporto.

Na bagagem de mão, em viagens aéreas ou marítimas:

-  Faça uma pastinha por pessoa com os documentos de viagem (especialmente se for para o exterior, já que eles podem ser solicitados na imigração): passagens aéreas de ida e volta impressas, vouchers  dos hotéis e traslados, cópia do seguro viagem, etc.
- Notebooks, câmeras, filmadoras, eletrônicos em geral, celular, dinheiro, cartões de crédito, documentos: só podem e só devem ser transportados na bagagem de mão. Se você despachar, corre o sério risco de alguém abrir sua mala e furtá-los. Infelizmente isso acontece com freqüência. E você também pode tê-los danificados.
- Na mala de mão, leve também: carregadores de celular, do note, e das câmeras, já que se a mala não chegar, você terá isso em mãos.
- Não esqueça que o travesseiro de pescoço para aviões não terá utilidade nenhuma dentro da mala que foi despachada, ou seja: ele sempre deve ir na bagagem de mão!
- Caso você tome remédios diariamente,sempre leve-os na bagagem de mão,  pelo mesmo motivo acima: se você chegar, e a sua mala não, você terá como tomar seus remédios. No exterior, principalmente, muitos remédios exigem que se tenha receita médica local para comprá-los. Porém, se o remédio for líquido, ele só poderá ser transportado na bagagem de mão se o frasco tiver até 100ml, e terá que ser colocado dentro de um saquinho lacrável.
-  Eu também levo na mala de mão um kit de maquiagem básico, com rímel, lápis, pó, batom, corretivo.  E escova de dentes e pasta, claro.
- A melhor bagagem de mão para mim é uma mochila, que distribui bem o peso nos ombros e deixa as mãos livres.
- Eu costumo levar uma luva, normalmente de couro, para não machucar os dedos arrastando as malas.
- Sobre o transporte de líquidos: só podem ser transportados na bagagem de mão líquido em frascos de até 100ml, que devem ser colocados no saquinho lacrável. Ou seja: xampus, condicionadores, cremes e afins devem ser despachados, e não levados na bagagem de mão, sob penas de tê-los retidos no raio-X.

Por fim, se você esquecer de levar algo, lembre-se de que praticamente tudo pode ser comprado no destino. Basta você não esquecer os documentos, dinheiro/cartão e remédios controlados, que todo o resto pode se resolver.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Vinhos Franceses – Como Fazer uma Boa Compra



Eu gosto de tomar um vinhozinho no inverno, mas confesso que entendo muito pouco desta bebida que encanta e fascina muitas pessoas. Então pedi uma ajuda ao meu amigo querido e super expert em vinhos, Thiago Borne, para fazer um post a respeito da bebida de Baco. O assunto “vinho” é muito amplo, de modo que, inicialmente, solicitei a ele que fizesse um texto simples, fácil de entender e com algumas dicas de como comprar vinhos franceses, que são os meus preferidos. Para quem quer começar a entender um pouco mais a respeito, o texto do Thiago é um ótimo começo. Divirtam-se, de preferência, com uma boa taça de vinho na mão!

Vinhos Franceses – Como fazer uma boa compra

             “Com certeza, você já encontrou dúvidas ou dificuldades na hora de comprar um vinho. Estamos em uma região onde, além de termos uma grande oferta de bons vinhos nacionais, ainda temos a proximidade de três países produtores: Argentina, Chile e Uruguai, sendo que, dentre estes, os vinhos argentinos e chilenos dominam as prateleiras e gôndolas dos supermercados e lojas especializadas. Você provavelmente também já ouviu falar que os vinhos franceses são os melhores do mundo, certo? Mas então, como saber se essa informação é verdadeira, e como escolher um vinho francês? As respostas são difíceis e nem sempre exatas, mas com algumas dicas, você pode ter uma experiência enogastronômica bem mais agradável.
            A França é reconhecida por diversas coisas interessantes e excelentes. Paris é o sonho de viagem de muitas pessoas. Os perfumes franceses sempre foram reconhecidos por sua excelência. Mas é na enogastronomia que ela nos encanta! A gastronomia francesa é espetacular, e os vinhos que a acompanham, monumentais! Os vinhos franceses, se não são os melhores do mundo, estão entre os melhores. Infelizmente, para nós, meros mortais, é quase nula a probabilidade de provarmos um dos mais famosos vinhos franceses. E por quê? Pelo simples fato de que, além da produção ser baixa e dos preços exorbitantes, existe já um mercado pronto para comprar antecipadamente toda a produção destes vinhos. No Brasil, são pouquíssimos lugares onde, por exemplo, você encontra um Romanée-Conti à venda. Felizmente, podemos encontrar vinhos financeiramente mais acessíveis, mas como existe uma grande diferença de qualidade entre os vinhos franceses, o melhor é seguir sugestões de quem já os provou.
                A palavra Terroir, que hoje é mundialmente empregada para designar o local exato onde estão os parreirais de determinado vinho, tem origem na França. Podemos definir Terroir, resumidamente, desta forma: é a união das características naturais dos vinhos - são as características da composição do solo, sua posição solar e inclinação, somando as características micro-climáticas do vinhedo e somando a ação do homem e sua cultura sobre estes elementos. Os vinhos franceses exprimem exatamente seu Terroir! Ao contrário dos vinhos macios e alcoólicos do Novo Mundo (Argentina, Chile, EUA, África do Sul, etc), geralmente os vinhos franceses são tidos como vinhos gastronômicos, isto é, são mais apreciados quando consumidos junto com uma refeição. São vinhos com um teor de álcool um pouco inferior, porém mais tânicos, terrosos, adstringentes e com um alto potencial de guarda.
        Para uma compra mais segura, vá a uma loja especializada, onde você terá ajuda de um profissional que lhe indicará a melhor opção. De modo geral, poderia dizer que os vinhos brancos harmonizam bem com frutos do mar e os tintos com carnes e massas. Um grande curinga na harmonização é o espumante brut, que aceita diversos tipos de comidas e temperos. Champagne, sem sombra de dúvida, é a melhor região produtora de espumantes do mundo, mas a França também produz ótimos espumantes na Alsácia, onde são chamados de Cremant. O vinho bom é aquele que lhe dá prazer e você fica triste quando a garrafa chega ao fim! Certamente você vai encontrar algum vinho francês que lhe traga essa satisfação.”

Laissez le vin de se faire.
(Deixem o vinho se aperfeiçoar) – Ditado popular da Borgonha


  
Thiago Borne
Sommelier Internacional e proprietário da São Pelegrino Bebidas - Caxias do Sul - RS

OBS - Imagem tirada da internet.

terça-feira, 5 de março de 2013

Bolo de Banana da Roberta


Você não sabe o que fazer com aquelas bananas super maduras que estão na fruteira de casa? Simples: faça um delicioso bolo de banana.
Essa receita de bolo é um sucesso. Sempre que eu faço, o bolo “desaparece” em menos de 24h (leia-se: meus irmãos devoram-no antes do dia seguinte amanhecer).
Eu adoro comê-lo ainda quentinho, e, no verão, colocar uma bola de sorvete de creme ao lado para acompanhar.
Nesta receita não vai banana caramelizada, mas se vocês quiserem adicionar, fiquem à vontade.

Ingredientes:

- 5 bananas médias (quanto mais madura elas estiverem, melhor fica o bolo!)
- 1 xícara de óleo
- 3 ovos
- 2 xícaras de açúcar
- 2 xícaras de farinha de rosca (de preferência a farina fina comprada em supermercados. Caso você compre a farinha mais grossa de padaria, vai ter que adicionar pelo menos meio copo d’água na massa, senão ela fica muito dura)
- 1 colher de sopa rasa de canela para o bolo e mais 1 colher de sopa rasa de canela para untar
- 1 colher de sopa cheia de fermento em pó

Modo de preparo:
  1. Bater bem no liquidificador: bananas, óleo e ovos (clara + gema), até formar uma massa uniforme.
  2.   Despejar o conteúdo batido numa tigela e acrescentar delicadamente a farinha de rosca, açúcar, canela (1 col de sopa rasa) e fermento. Misturar bem. A massa fica mais mole do que a de um bolo de chocolate, por exemplo.
  3.  Para untar a forma: em vez de usar farinha de trigo, sugiro untar com açúcar e canela. Fica muito bom! Primeiro, pegue uma xícara, despeje umas 2 a 3 colheres de sopa de açúcar + 1 colher de sopa rasa de canela. Misture bem.  Passe o azeite no fundo da forma, retire o excesso com um guardanapo ou papel toalha, e espalhe o açúcar + canela misturados por cima do azeite. Assim você não terá um bolo com um fundo “feio” de farinha de trigo, e o açúcar + canela combinam muito com o sabor deste bolo. Não fica muito doce, fiquem tranquilos.
  4. Pré-aquecer o forno por 15min. Assar o bolo a 200ºC por 40min (o tempo exato depende do forno).
  5. Este bolo não cresce muito, então não se desaponte por não ver um “bolão” crescendo no forno. Em compensação, ele fica molhadinho por dentro.
  6. Opcional: após pronto, você pode colocar por cima açúcar misturado com canela (lembre-se de misturá-los na xícara antes de largar em cima do bolo). Não é necessário cozinhar o açúcar com canela que vai em cima do bolo). Eu particularmente prefiro sem esta camada, pois acho que fica muito doce se colocar mais açúcar em cima, mas deixo a critério de cada um.

 Deliciem-se! Nhami, nhami!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Queijos, uma bela e deliciosa surpresa!


Eu nunca fui muito fã de queijo. Até os 18 anos, eu não comia nada que tivesse queijo, nem pizza. Frequentava apenas uma pizzaria na minha cidade na qual preparavam especialmente para mim pizzas sem queijo. Achava que queijo tinha gosto de podre, não podia nem sentir o cheiro.
Aos poucos, meu paladar foi mudando e comecei a aceitar um pouco melhor os queijos suaves, como a mozzarella. Só comia se o queijo estivesse quente (numa pizza ou molho). Ainda assim, levaram alguns anos para eu realmente começar a apreciá-lo.
Dos queijos de sabor forte, o único que me dava algum prazer de comer era o Grana Padano, mas ainda assim, comia-o com uma certa culpa, tendo em vista que queijo é algo muito calórico.

Ano passado fui para a França, e fiz alguns cursos de culinária lá. Num deles, nos ofereceram alguns queijos diferentes para provar, e, surpresa: adorei! Pela primeira vez, tive vontade de ir ao supermercado para comprar queijo. E me esbaldei. Num supermercado relativamente pequeno, deparei-me com uma prateleira gigante com os mais variados tipos de queijos. Fiquei quase uma hora ali lendo rótulos e escolhendo sabores. Eu queria provar todos! Comprei uns 4 ou 5 tipos diferentes. Comi-os todos os dias enquanto eu estava lá. Roquefort de cabra foi eleito o meu preferido enquanto estava na França.
Percebi que precisava aprender mais sobre o mundo dos queijos, então me inscrevi num curso de harmonização de queijos e cervejas artesanais em Nova York. Honestamente, quando fiz a inscrição eu estava muito mais animada com a parte das cervejas do que com a dos queijos. Mas, novamente, tive uma maravilhosa revelação: os queijos eram uma delícia. Tivemos uma pequena confraternização antes do curso na qual estavam distribuídos sobre uma longa mesa diversos tipos de queijos, harmonizados com espumante, e ao fundo da mesa tinha uma panelinha de fondue. Aquele foi o melhor fondue que já comi na vida! Provei todos, sem peso na consciência. Tinha um sabor único, não era forte e nem fraco, derretia na boca. Fui aos céus com aquele fondue. Porém, logo a instrutora me chamou para a Terra ao informar que o curso começaria em 5min.

Na sala, havia um prato com 7 tipos de queijo à nossa frente, e 5 cervejas diferentes para harmonização. Recebemos uma folha com uma grade com as 35 combinações, e deveríamos provar um pedaço de queijo, segurando-o no céu da boca, e tomar um gole de cerveja, prestar atenção nas percepções, e dar uma nota para cada combinação. Primeiramente, nós provamos todas as cervejas sem nenhum queijo, para conhecer o gosto delas. Depois provamos todos os queijos, sem nenhuma cerveja, com o mesmo objetivo. E somente após estes testes é que iniciamos a harmonização. O primeiro queijo com a primeira cerveja, que era leve, não me fez sentir uma boa sensação, não senti direito nem o gosto do queijo e nem o da cerveja. Nota zero (que era a nota neutra). As notas variavam entre -2 (muito ruim), -1 (ruim), 0 (neutro), 1 (agradável), 2 (ótimo). Já com a segunda cerveja ele caiu melhor, nota 1. Porém, a terceira cerveja foi a que mais me surpreendeu. Ela era uma cerveja com um toque floral. Eu nunca tinha experimentado nada igual. Quando provei-a sozinha, não gostei. Tinha gosto de perfume. Porém, ao combinar com alguns queijos específicos, achei deliciosa. Isso me encantou. Desde este dia, eu comecei a prestar muito mais atenção no sabor de cada alimento ou bebida. Aprendi a valorizar a boa harmonização, e entender o quanto ela é importante. Eu não consegui experimentar todas as combinações, afinal, eram 35! Então selecionei algumas, até que meu estômago pediu uma trégua para não explodir de tanta cerveja e queijo. E foi concedida a trégua. Nós podíamos levar os queijos que sobrassem embora, e a cerveja nós podíamos repetir quantas vezes fossem necessárias. O pessoal que fez o curso comigo (eu calculo que umas 30 pessoas, pelo menos) era muito bacana. Trocávamos idéias das sensações entre nós e com a professora (que era uma super especialista em queijos e harmonizações).
Dica: quando vocês forem participar de uma harmonização, experimentem sempre pedaços pequenos, o menor possível, e tomem goles pequenos. Senão não tem como provar tudo.
Este curso eu fiz numa queijaria chamada Artisanal (http://www.artisanalcheese.com/). Eles têm também um restaurante (fromagerie) no qual é possível experimentar muitos queijos e também jantar. As inscrições no curso são feitas pelo site. O meu curso custou US$ 75,00, o que achei barato, considerando que tivemos aula, refeições e muita diversão. Há outros cursos, como por exemplo harmonização de queijos e vinhos (super badalado e procurado), e fondue. Recomendo muito, e quando eu for para a Big Apple de novo, certamente voltarei lá e quem sabe me inscreverei em mais um curso, porque amei!

A partir deste curso, meu interesse por queijos aumentou. Comecei a procurar pela cidade queijos especiais, e tenho tentado ler e entender um pouco mais sobre eles.
Ontem fui jantar num dos meus restaurantes preferidos, o Bistrô São Lourenzo (http://www.saolourenzo.com.br/), que fica na Rua Luiz Antunes, 205, Bairro Panazzolo, em Caxias do Sul – RS, e o chef Alex Szigethy nos agraciou com uma deliciosa burrata. Nunca tinha comido-a aqui no Brasil. Experimentei-a apenas uma vez, na Itália, e adorei. A burrata é um queijo italiano em forma de uma bola, feito de mozzarella de búfala e recheado com uma espécie de cream cheese. Ela é um pouco densa por fora e super cremosa por dentro. No Brasil, ela é feita apenas em Minas Gerais, de onde o Alex se deu o trabalho e o cuidado de trazer. Foi servida como entrada, acompanhada de tomates-uva e manjericão. Quando a garçonete colocou a burrata na nossa mesa, meus olhos brilharam! Estava tão ansiosa  para prová-la que nem sequer uma foto tirei. Quando coloquei-a na boca, hmmm, que sensação fantástica! Sabor suave, textura perfeita, salgadinha. Tenho água na boca só de lembrar. E a melhor notícia é que o restaurante deve mantê-la sempre no cardápio a partir de agora. É super difícil encontrar burrata em restaurantes brasileiros, então parabenizo o bistrô caxiense pela iniciativa de proporcionar a nós a oportunidade de conhecer e apreciar este maravilhoso queijo italiano.

Ontem elegi a burrata como meu queijo preferido, e recomendo a todos os que apreciam esta iguaria a irem lá provar.  Para mim, a comida é 50% sabor e 50% textura, e muitas vezes acabo valorizando mais a textura do que o sabor em si. E a burrata tem uma textura única.
Com certeza continuarei a investir em mais e mais conhecimento acerca deste mundo dos queijos, que até 10 anos atrás para mim era completamente desconhecido, e aos poucos me proporcionou ótimas experiências gastronômicas.

OBS: as fotos, com exceção da foto do curso de cervejas e queijos, foram retiradas da internet.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Cidade do Cabo: never too late

            Este texto foi escrito pelo meu grande amigo e meu ex-professor de inglês Ricardo Heinen*, que se aventurou até o outro lado do oceano e ficou um mês na África do Sul estudando e passeando. O texto, bastante jornalístico, tendo em vista que esta era sua profissão antes de se tornar professor, nos revela uma visão interessante e diferente da segunda maior cidade daquele país. 
           Tem sido crescente a procura por pacotes e intercâmbios para a Cidade do Cabo, e todo mundo que vai para lá se encanta. Aqui está explicado um pouco do porquê.

"Pouco tempo antes de completar 50 anos, uma idade em que a maioria dos homens se ocupa com pouco mais do que família, trabalho, renda e aposentadoria, um dos meus alunos particulares mencionou ter garimpado uma atraente oferta de intercâmbio na Cidade do Cabo, África do Sul. A proposta envolvia um curso em uma renomada escola de inglês, acomodação individual e refeições em uma casa de família, passagens aéreas e transfer. As tardes sem aulas ainda prometiam tempo livre para eventuais excursões ao Cabo da Boa Esperança, a parques nacionais (safaris) ou vinícolas, além, é claro, de caminhadas ao longo das praias do Atlântico.
À época, Agosto de 2011, já tinha ouvido inúmeros testemunhos francamente favoráveis à organização e às belezas naturais dessa cosmopolita, moderna e rica ex-colônia holandesa e britânica, um movimentado entreposto comercial entre o Ocidente e o Oriente, mas a ideia de ficar hospedado em uma casa de estranhos, sem garantia de que poderia manter meus rituais diários de banho, siesta e leitura, parecia-me um tanto arriscada. Além disso, vitaminados pela distorcida mídia de que somos mais vítimas do que consumidores, meus receios tinham sido sempre maiores do que o poderia ser a curiosidade em relação ao continente africano. 
Viajar, no entanto, não me intimidava, tampouco me soava como algo extraordinário, pois não apenas há muito dominava a língua de Shakespeare como também já tinha visitado quase duas dezenas de países, mas será que essas aventuras, que tinham se dado em viagens de três dias a duas semanas, e quase todas baseadas na segurança daquele tripé mochila-albergue-Europa, poderiam me credenciar ao tão sonhado título de "a seasoned traveller" (um viajante experiente)? A ensolarada e distante Cape Town, como se chama em inglês, acenava então como uma possibilidade de variar um pouco o repertório, pontuado por visitas a Paris e Lisboa, e longas estadas na Inglaterra. Além disso, não corria o risco de pagar o mico de ser flagrado em excursões com guias que seguram bandeirinhas amarelas para turistas que tem o retorno ao lar em mente desde o momento da decolagem. Então,  o que havia a se perder? 
Baseado nessa premissa, a de que a vida começa ali bem onde se sai da zona de conforto, não hesitei em bater o martelo, e então, após a decisão ter sido tomada, a cada semana que passava aproximava-se a temida hora de partir para o desconhecido. Simon´s Town? Mergulho com tubarões? Com o pacote já comprado e todos os boletos pagos, "borboletas" me percorriam o estômago ao me deparar com aquelas informações que, ao me chegar aos olhos e ouvidos, sugeriam um mundo de mistérios ao mesmo tempo promissores e impenetráveis: senhora Latiefa Dawoo, 20 Carisbrook Road, Bokaap, Farid, Robben Island... Nomes estranhos que nem o Google Street View conseguia tornar mais familiar. 
 Todas essas apreensões iniciais, no entanto, começaram a se dissipar em primeiro de Janeiro de 2012 diante do eficiente serviço de bordo da South African Airways, ou, pelo menos, diante do efeito etílico de seus excelentes vinhos de bordo. Nem mesmo a visão de um imenso planalto avermelhado e árido, situado entre o litoral do Atlântico e o centro do continente, e tampouco a conexão perdida em Johannesburg me desanimaram. O transfer surpreendentemente funcionou, apesar do gorducho motorista ríspido que falava aquele incompreensível Afrikaans. Além disso, Cape Town me recebeu de cara amarrada, envolta em neblina, sem a vista do que lhe é mais belo, a Table Mountain, ou Devil´s Peak, ou Lion´s Head. Mas, com temperaturas próximas dos 20 graus em pleno Janeiro e a simpatia de Latiefa, uma muçulmana parda e sorridente que me conduziu a um aconchegante e amplo quarto decorado com padrões de zebra, as primeiras impressões foram ainda mais tranquilizadoras.

Na primeira manhã, após um café ao qual não faltou sequer peanut butter, sr. Gafoor, o marido, fez questão de conduzir-me em seu Jetta preto até (literalmente) a porta da escola, chamada Good Hope Studies, uma instituição que se revelou um achado. Bem organizada, agradável e muito moderna, sobretudo se comparada àquelas onde havia passado meses e meses na Inglaterra dos anos 90, a GHS situa-se no coração da cidade, entre o distrito financeiro e os Company Gardens, uma espécie de jardim botânico. A partir dela, tudo ficava perto, desde a estação de trens até o feérico Waterfront, desde o histórico Castle até as mesquitas de Bokaap, o bairro de casinhas coloridas onde fiquei instalado por 4 semanas inesquecíveis, e as quais vivi com a intensidade de uma adolescência tardia e apaixonada.

Ainda me é um mistério entender a origem do prazer diário de, mochila às costas, descer as Jordaan Street sob um sol morno e o canto dos pássaros locais. Logo a seguir, sob o colorido da bandeira do país, comerciantes negros montavam suas barracas de artesanato africano no Green Market, enquanto senhoras europeias dispunham antiguidades sobre bancadas na Market Street. A chegada à escola coincidia com o movimento nos cafés enquanto as lojas de departamento abriam suas portas. A cada dia, escolhia um novo roteiro, aleatoriamente, uma tentativa de apreender a razão do bem-estar que CT proporciona.

 A sala de aula constituía um recorte bastante preciso dos viajantes daquela extremidade da África: na maioria, jovens professores de inglês, alguns brasileiros e alguns suíços, além de alemães, argentinos e franceses. A professora, Ardine Fick, uma aquariana sempre preocupada que suas aulas fossem envolventes e que promovessem debates naturais e verdadeiros, guiava as atividades com a doçura de uma irmã e a mão de ferro de uma diretora de teatro, e assim garantia que as manhãs passassem a mil por hora. Não faltavam opções de lugares onde almoçar, embora meus prediletos fossem os restaurantes chineses ou japoneses. A comida sul-africana que conheci é quase intragável. E as tardes, após algumas horas passadas à sombra de um guarda-sol ou de algumas lojas, acabavam invariavelmente sob a vista inesquecível de uma Cape Town pontuada por minaretes e prédios high-tech, ou de uma praia incomparavelmente aprazível ou de uma montanha espetacular.

 O sol e o vento de Cape Town, que se espreme entre duas baías, podem nos pegar de surpresa, mas é a Table Mountain que merece todos os superlativos possíveis. À noite, após o jantar com os demais hóspedes da família sul-africana, saíamos para encontrar amigos recém descobertos e conhecidos nos bares, pubs e cyber cafés da Long Street, a rua mais boêmia da cidade. Em poucos dias, muitos rostos já haviam se tornado familiares, desde a loirinha gremista de Carazinho até o etíope magro e com dreads na cabeça, da francesa que bebia Coca-Cola cedo pela manhã ao segurança que mal falava uma palavra em inglês, e mesmo a mais escura das ruas já não parecia mais oferecer qualquer perigo.
Mas, como dizemos neste lado do oceano, o que é bom dura pouco, e em um piscar de olhos a terrível hora de voltar havia chegado. Um mês é muito pouco para a Cidade do Cabo. Sequer tinha escalado Lion´s Head nem me embriagado com os vinhos de Groot Constantia. Não tinha visitado um safari nem sequer conhecido Table View. Faltava comprar Amarula. E Hout Bay merecia um passeio demorado... "Next time!!!", como se diz por lá.
 Com algumas centenas de fotos, cinco quilos a menos e um bronzeado invejável, embarquei melancólico de volta ao Brasil. Estava não apenas mais leve, mas bastante rejuvenescido. Eu, que em geral volto de viagens à Europa com malas pesadas por causa das roupas para o frio, dos livros e daqueles "achados" em "Sales", dava-me conta de que, da Cidade do Cabo, eu retornava triste mas sem aquele peso imenso que talvez fosse a certeza de que o Brasil era sim o melhor país para se viver.

Viajar é preciso, mas voltar tem os seus percalços."


* Ricardo Heinen é professor particular de inglês e tradutor, com formação também em Comunicação Social pela UFSM.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Intercâmbio no Alaska



Fazer intercâmbio é o sonho de muitos jovens. Morar fora, ter que se virar sozinho, conhecer outra cultura, outra língua, experimentar a liberdade, conviver com pessoas diferentes... Quem nunca almejou isso, ainda que só em pensamento?
Minha amiga querida Raquel De Carli, corajosa e decidida como só ela sabe ser, aos 15 anos resolveu ter esta experiência. Ela foi para um lugar muito diferente: o Alaska! Ela vivenciou coisas maravilhosas lá, e hoje o blog abre um espaço para ela dividi-las conosco.
Desde pequena sonhava em fazer um intercâmbio, vivenciar experiências diferentes, aprender a falar outra língua e conhecer a cultura de outros países. Quando completei 15 anos, decidi que havia chegado a hora de realizar este sonho. Só faltava escolher o destino. Várias ideias vieram, Nova Zelândia, França, Estados Unidos, mas em pouco tempo me decidi e me inscrevi na AFS para um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos. O próximo passo era esperar alguma família americana me escolher.
E então os Mitchell’s me “adotaram". O verdadeiro choque foi quando descobri onde a minha querida família hospedeira morava: no Alaska! Foi uma mistura de sentimentos, felicidade, medo, ansiedade. Pesquisei muito, criei coragem e fui. Morei em Anchorage, cidade com mais ou menos 300 mil habitantes. Cheguei no início de janeiro. Os dias nessa época do ano são bem curtos, amanhece por volta de 10h da manhã e o sol se põe as 4h da tarde. Já no verão, o sol só se põe por volta de 2h da manhã e em duas horas já está tudo claro novamente. As temperaturas no verão não passam de 17º. 
Vivenciei coisas inesquecíveis, vi a aurora boreal, em tons de rosa e verde, em uma cidadezinha chamada Fairbanks. Andei de trenó puxado por cachorros (dog mushing) e de snowmachine (uma “moto” que anda na neve). Esquei muuuiitooo, até participei de um evento de ski, no qual mais de 800 mulheres esquiaram.

Minha mãe hospedeira disse que queria me dar um presente, então ela decidiu que queria me pagar um voo, naqueles "mini aviões" para que eu pudesse ver a montanha mais alta dos Estados Unidos de perto, a Mt Mckinley. O avião sai de Talkeetna, uma cidade que fica a 2 horas de Anchorage. O passeio durou por volta de 1h e 45min. Foi umas das melhores experiências da minha vida. O avião passa entre várias montanhas e as paisagens são maravilhosas.
Apesar de assustador, também foi muito legal ter visto um urso. Minhas amigas e eu  estávamos fazendo uma trilha e todas nós carregávamos "sinos" para assustar os ursos. Com o barulho, não encontraríamos um de surpresa, mas mesmo assim vimos um urso preto. Foi emocionante, não parecia real, mas ele logo foi embora. No primeiro dia que vi um alce, achei o máximo, tirei várias fotos, fiquei muito emocionada. Depois de um tempo não agüentava mais ver tantos alces no quintal da minha casa.
Estudei na escola Service High School. Nosso mascote era os "cougars" (espécie de felino). Eu pude escolher as matérias que eu queria cursar, então escolhi: biologia, francês, jóias e seminar. A aula mais divertida com certeza foi a de "jewelry" (jóias), fiz 3 anéis de prata e várias amizades. Já a aula de seminar não foi tão divertida quanto a de jewelry. Fazíamos muitos debates sobre diversos assuntos e estudávamos sobre história americana e história do Alaska.
Participei do time de track and field da minha escola. Tentei de tudo, corrida por velocidade, corrida estilo maratona, salto com vara, mas como todos meus colegas já estavam treinando há anos, então eu não conseguia acompanhar. Até que uma das minhas colegas me convidou para tentar o discus, e foi aí que me encontrei. Passava a tarde inteira com as minhas colegas no estacionamento da escola, com o som do carro ligado, conversando e tentando jogar o tal do discus. Obviamente eu não ganhei nada porque não tenho força alguma, mas foi divertido ter participado de campeonatos, e ter tido a convivência com as minhas colegas de track and field. Também joguei em um time de volleyball fora da escola.

Minha família hospedeira queria muito que eu me formasse lá e pudesse ir ao famoso Prom americano (festa de formatura da escola). Após muita insistência com o diretor, fui matriculada como uma sênior. Então tive a minha noite tão sonhada, tive a minha formatura americana. Um colega me convidou para eu ser a "date" (acompanhante) dele na formatura, me trouxe o corsage (espécie de pulseira de flores), tudo como manda o figurino. Foi uma noite inesquecível.

Depois da minha formatura, eu tive um mês de férias antes de voltar para o Brasil, então aproveitei o verão no Alaska, fiz várias trilhas nas montanhas,  e vi um natureza indescritível.
Meu intercâmbio foi maravilhoso, eu não queria mais voltar. Foi muito díficil me despedir da minha família hospedeira e dos meus amigos. Só tenho a agradecer meus pais por me darem uma oportunidade dessas, que me fez crescer muito.”

Super legal, não? Fiquei morrendo de vontade de conhecer o Alaska depois de ler o depoimento da Raquel. E fiquei imaginando tudo o que ela descreveu e viveu lá, deve ter sido realmente fantástico. Fazer intercâmbio é uma experiência única, e digo a todos que tem a oportunidade: FAÇAM! Vale muito à pena. Raquel é prova disso.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Macarons, que delícia!



Estávamos numa roda de amigos, muitos dos quais bastante viajados, e eis que descubro que vários deles não conheciam “macarons”. Na hora, pensei: isso vai virar um post para meu blog, certamente. 
Para começar: macarons não tem nada a ver com macarrão. O primeiro é um biscoito doce, o segundo é uma massa. Não confunda um com o outro. A pronúncia e a escrita são diferentes.
Vamos começar pelo básico: pronuncia-se ‘macarrons,’ em português, com som de RR, pois vem do francês, e, além disso, meu cérebro não me deixa falar macarons com som de R, fica muito feio!  
Eu descreveria-o como um biscoito com uma textura única, uma mistura de merengue + bolo + biscoito, mas não é nenhum dos três. Só quem prova entende o que quero dizer. São crocantes por fora e macios por dentro. Tem um recheio cremoso, que varia conforme o sabor escolhido. Existem vários sabores de macarons, e por conseqüência eles se apresentam em muitas cores.
Existe um ingrediente diferente e pouco conhecido no Brasil que vai na receita dos macarons, que é a farinha de amêndoa. Não é fácil de encontrá-la, mas em Caxias do Sul já existem lugares que vendem-na. Não é um ingrediente barato, o que contribui para que os macarons sejam um produto elitizado.
Em Caxias, até hoje o único lugar em que encontrei macarons para vender foi na Sweez (https://www.facebook.com/sweez), confeitaria que fica no bairro São Pelegrino (Rua Coronel Flores, 749, sala 3). O custo é R$ 2,50 por macaron (valor em janeiro de 2013).Parabéns aos proprietários por trazerem esta delícia para a serra gaúcha, adoramos!
No ano passado (2012), foi oferecido curso de macarons para leigos, na Escola de Gastronomia Sal a Gosto (http://www.escolasalagosto.com.br/), que fica na minha querida cidade. Eu infelizmente não pude participar naquela ocasião, mas penso em fazer se o curso for oferecido novamente, embora eu saiba que é difícil de conseguir reproduzir a receita em casa. Como eu sou metida, eu gosto de saber como as coisas são feitas. Então mesmo que eu nunca vá fazer em casa, me dá prazer de provar um alimento e saber o processo pelo qual ele passou até chegar ao meu prato, e isso leva-me a valorizar ainda mais o que estou saboreando.
Adriano Medeiros, formado em gastronomia pela UCS/ICIF, contou-me que precisou fazer 12 vezes a receita de macarons até conseguir executá-la com maestria. Disse que é difícil acertar o ponto da massa, e como ele tem muitos equipamentos, batederias, fornos, e também é muito perfeccionista, foram necessários vários testes até conseguir chegar ao macaron perfeito. Mas quando conseguiu, o prazer foi enorme! E eu acredito plenamente nisso, caro Adriano.
Como a maioria das preparações clássicas, a origem do macaron não é clara e tem séculos de história. Apesar do nome francês, acredita-se que a receita original seja italiana, e tenha surgido em algum monastério, sem uma data precisa - o nome macaron derivaria do italiano maccherone e do veneziano macarone (massa).
Somente durante a Renascença, Catarina de Médici, ao casar-se com Henrique, Duque de Orleans, leva essa iguaria à Corte Francesa. Já os franceses clamam que a receita já era confeccionada anteriormente nos monastérios de Cormery, França, desde o ano de 791. De uma forma ou de outra, no início os macarons eram apenas "biscoitos" de amêndoas sem qualquer recheio.
Durante o séc. XVII os macarons foram comumente confeccionados pelas Carmelitas, que seguiram os princípios de Theresa D’Ávila: “Amêndoas são boas para as jovens que não comem carne.” Durante a Revolução Francesa, duas freiras especializaram-se no preparo e comercialização dos macarons, tornaram-se famosas e passaram a ser chamadas de Souers Macaron (Irmãs Macaron).
Já no séc. XX, Pierre Desfontaines, fundador da famosa Pâtisserie Ladurée introduz um recheio cremoso aos macarons, que assumem assim a forma como o conhecemos atualmente.
Independentemente da origem, os macarons resistem até hoje e figuram nas melhores confeitarias do Brasil e do mundo.
Recentemente abriu em São Paulo uma unidade da confeitaria francesa Ladurée, no Shopping JK Iguatemi. Um amigo me disse que um macaron lá custa R$ 9,00 (dado de 2012).
Para mim, este biscoitinho peculiar é ideal para acompanhar um cafezinho à tarde. Sabe aqueles dias em que você está louco por um doce? Pois bem, esse é o dia de comer macarons. Depois que você experimentar o primeiro, irá querer sempre mais e mais. A maioria das pessoas realmente adora este item único da gastronomia francesa.
Minha dica: se vocês forem experimentar macarons, não comam, degustem. Sintam a textura, que para mim é quase mais interessante que o gosto. Prestem atenção nos sabores. Valorizem este doce que foi muito bem preparado e demorou até chegar no seu prato. Mastiguem devagar. Prestem atenção em cada sensação que ele lhe dá dentro da boca. E, aí sim, chamem o garçom e peçam mais um, porque vale à pena.

Referências:
Confeitaria Sódoces, de Flavio Federico
Larousse Gastronomique