Fazer intercâmbio
é o sonho de muitos jovens. Morar fora,
ter que se virar sozinho, conhecer outra cultura, outra língua, experimentar a
liberdade, conviver com pessoas diferentes... Quem nunca almejou isso, ainda
que só em pensamento?
Minha amiga
querida Raquel De Carli, corajosa e decidida como só ela sabe
ser, aos 15 anos resolveu ter esta
experiência. Ela foi para um lugar muito diferente: o Alaska! Ela vivenciou coisas maravilhosas lá, e hoje o blog abre
um espaço para ela dividi-las conosco.
“Desde pequena sonhava em fazer um intercâmbio, vivenciar
experiências diferentes, aprender a falar outra língua e conhecer a cultura de
outros países. Quando completei 15 anos, decidi que havia chegado a hora de
realizar este sonho. Só faltava escolher o destino. Várias ideias vieram, Nova
Zelândia, França, Estados Unidos, mas em pouco tempo me decidi e me inscrevi na
AFS para um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos. O próximo passo era esperar alguma família americana me
escolher.
E então os Mitchell’s me “adotaram". O
verdadeiro choque foi quando descobri onde a minha querida família hospedeira
morava: no Alaska! Foi uma mistura de sentimentos, felicidade, medo, ansiedade. Pesquisei muito, criei coragem e fui.
Morei em Anchorage, cidade com mais
ou menos 300 mil habitantes. Cheguei no início de janeiro. Os dias nessa época
do ano são bem curtos, amanhece por volta de 10h da manhã e o sol se põe as 4h
da tarde. Já no verão, o sol só se põe por volta de 2h da manhã e em duas horas
já está tudo claro novamente. As temperaturas no verão não passam
de 17º.
Vivenciei coisas inesquecíveis, vi a aurora
boreal, em tons de rosa e verde, em uma cidadezinha chamada Fairbanks. Andei de
trenó puxado por cachorros (dog
mushing) e de snowmachine (uma
“moto” que anda na neve). Esquei
muuuiitooo, até participei de um evento de ski, no qual mais de 800 mulheres
esquiaram.
Minha mãe
hospedeira disse que queria me dar um presente, então ela decidiu que queria me
pagar um voo, naqueles "mini aviões" para que eu pudesse ver a montanha mais alta dos Estados Unidos
de perto, a Mt Mckinley. O avião sai de Talkeetna, uma cidade que fica a 2
horas de Anchorage. O passeio durou por volta de 1h e 45min. Foi umas das
melhores experiências da minha vida. O avião passa entre várias montanhas e as
paisagens são maravilhosas.
Apesar de assustador, também foi muito legal ter visto um urso. Minhas
amigas e eu estávamos fazendo uma trilha
e todas nós carregávamos "sinos" para assustar os ursos. Com o
barulho, não encontraríamos um de surpresa, mas mesmo assim vimos um urso
preto. Foi emocionante, não parecia real, mas ele logo foi embora. No primeiro
dia que vi um alce, achei o máximo, tirei várias fotos, fiquei muito
emocionada. Depois de um tempo não agüentava mais ver tantos alces no quintal
da minha casa.
Estudei na escola Service
High School. Nosso mascote era os "cougars" (espécie de felino). Eu pude escolher as matérias que eu queria
cursar, então escolhi: biologia, francês, jóias e seminar. A aula mais divertida com certeza foi a de
"jewelry" (jóias), fiz 3 anéis de prata e várias amizades. Já a aula de seminar não foi tão divertida quanto a de jewelry. Fazíamos muitos debates sobre diversos assuntos e estudávamos sobre história americana e história do Alaska.
Participei do time de track and field da minha escola. Tentei de tudo, corrida por velocidade, corrida estilo maratona, salto com vara, mas como todos meus colegas já estavam treinando há anos, então eu não conseguia acompanhar. Até que uma das minhas colegas me convidou para tentar o discus, e foi aí que me encontrei. Passava a tarde inteira com as minhas colegas no estacionamento da escola, com o som do carro ligado, conversando e tentando jogar o tal do discus. Obviamente eu não ganhei nada porque não tenho força alguma, mas foi divertido ter participado de campeonatos, e ter tido a convivência com as minhas colegas de track and field. Também joguei em um time de volleyball fora da escola.
Minha família hospedeira queria muito que eu me formasse lá
e pudesse ir ao famoso Prom americano (festa de formatura
da escola). Após muita insistência com o diretor, fui matriculada como uma sênior.
Então tive a minha noite tão sonhada, tive
a minha formatura americana. Um colega me convidou para eu ser a "date" (acompanhante) dele na
formatura, me trouxe o corsage
(espécie de pulseira de flores), tudo como manda o figurino. Foi uma noite
inesquecível.
Depois da minha formatura, eu tive um mês de férias antes de
voltar para o Brasil, então aproveitei o verão no Alaska, fiz várias trilhas
nas montanhas, e vi um natureza
indescritível.
Meu intercâmbio foi maravilhoso, eu
não queria mais voltar. Foi muito díficil me despedir da
minha família hospedeira e dos meus amigos. Só tenho a agradecer meus pais por me darem uma oportunidade dessas,
que me fez crescer muito.”
Super legal, não? Fiquei morrendo de vontade de conhecer o
Alaska depois de ler o depoimento da Raquel. E fiquei imaginando tudo o que ela
descreveu e viveu lá, deve ter sido realmente fantástico. Fazer intercâmbio é
uma experiência única, e digo a todos que tem a oportunidade: FAÇAM! Vale muito
à pena. Raquel é prova disso.




