quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Intercâmbio no Alaska



Fazer intercâmbio é o sonho de muitos jovens. Morar fora, ter que se virar sozinho, conhecer outra cultura, outra língua, experimentar a liberdade, conviver com pessoas diferentes... Quem nunca almejou isso, ainda que só em pensamento?
Minha amiga querida Raquel De Carli, corajosa e decidida como só ela sabe ser, aos 15 anos resolveu ter esta experiência. Ela foi para um lugar muito diferente: o Alaska! Ela vivenciou coisas maravilhosas lá, e hoje o blog abre um espaço para ela dividi-las conosco.
Desde pequena sonhava em fazer um intercâmbio, vivenciar experiências diferentes, aprender a falar outra língua e conhecer a cultura de outros países. Quando completei 15 anos, decidi que havia chegado a hora de realizar este sonho. Só faltava escolher o destino. Várias ideias vieram, Nova Zelândia, França, Estados Unidos, mas em pouco tempo me decidi e me inscrevi na AFS para um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos. O próximo passo era esperar alguma família americana me escolher.
E então os Mitchell’s me “adotaram". O verdadeiro choque foi quando descobri onde a minha querida família hospedeira morava: no Alaska! Foi uma mistura de sentimentos, felicidade, medo, ansiedade. Pesquisei muito, criei coragem e fui. Morei em Anchorage, cidade com mais ou menos 300 mil habitantes. Cheguei no início de janeiro. Os dias nessa época do ano são bem curtos, amanhece por volta de 10h da manhã e o sol se põe as 4h da tarde. Já no verão, o sol só se põe por volta de 2h da manhã e em duas horas já está tudo claro novamente. As temperaturas no verão não passam de 17º. 
Vivenciei coisas inesquecíveis, vi a aurora boreal, em tons de rosa e verde, em uma cidadezinha chamada Fairbanks. Andei de trenó puxado por cachorros (dog mushing) e de snowmachine (uma “moto” que anda na neve). Esquei muuuiitooo, até participei de um evento de ski, no qual mais de 800 mulheres esquiaram.

Minha mãe hospedeira disse que queria me dar um presente, então ela decidiu que queria me pagar um voo, naqueles "mini aviões" para que eu pudesse ver a montanha mais alta dos Estados Unidos de perto, a Mt Mckinley. O avião sai de Talkeetna, uma cidade que fica a 2 horas de Anchorage. O passeio durou por volta de 1h e 45min. Foi umas das melhores experiências da minha vida. O avião passa entre várias montanhas e as paisagens são maravilhosas.
Apesar de assustador, também foi muito legal ter visto um urso. Minhas amigas e eu  estávamos fazendo uma trilha e todas nós carregávamos "sinos" para assustar os ursos. Com o barulho, não encontraríamos um de surpresa, mas mesmo assim vimos um urso preto. Foi emocionante, não parecia real, mas ele logo foi embora. No primeiro dia que vi um alce, achei o máximo, tirei várias fotos, fiquei muito emocionada. Depois de um tempo não agüentava mais ver tantos alces no quintal da minha casa.
Estudei na escola Service High School. Nosso mascote era os "cougars" (espécie de felino). Eu pude escolher as matérias que eu queria cursar, então escolhi: biologia, francês, jóias e seminar. A aula mais divertida com certeza foi a de "jewelry" (jóias), fiz 3 anéis de prata e várias amizades. Já a aula de seminar não foi tão divertida quanto a de jewelry. Fazíamos muitos debates sobre diversos assuntos e estudávamos sobre história americana e história do Alaska.
Participei do time de track and field da minha escola. Tentei de tudo, corrida por velocidade, corrida estilo maratona, salto com vara, mas como todos meus colegas já estavam treinando há anos, então eu não conseguia acompanhar. Até que uma das minhas colegas me convidou para tentar o discus, e foi aí que me encontrei. Passava a tarde inteira com as minhas colegas no estacionamento da escola, com o som do carro ligado, conversando e tentando jogar o tal do discus. Obviamente eu não ganhei nada porque não tenho força alguma, mas foi divertido ter participado de campeonatos, e ter tido a convivência com as minhas colegas de track and field. Também joguei em um time de volleyball fora da escola.

Minha família hospedeira queria muito que eu me formasse lá e pudesse ir ao famoso Prom americano (festa de formatura da escola). Após muita insistência com o diretor, fui matriculada como uma sênior. Então tive a minha noite tão sonhada, tive a minha formatura americana. Um colega me convidou para eu ser a "date" (acompanhante) dele na formatura, me trouxe o corsage (espécie de pulseira de flores), tudo como manda o figurino. Foi uma noite inesquecível.

Depois da minha formatura, eu tive um mês de férias antes de voltar para o Brasil, então aproveitei o verão no Alaska, fiz várias trilhas nas montanhas,  e vi um natureza indescritível.
Meu intercâmbio foi maravilhoso, eu não queria mais voltar. Foi muito díficil me despedir da minha família hospedeira e dos meus amigos. Só tenho a agradecer meus pais por me darem uma oportunidade dessas, que me fez crescer muito.”

Super legal, não? Fiquei morrendo de vontade de conhecer o Alaska depois de ler o depoimento da Raquel. E fiquei imaginando tudo o que ela descreveu e viveu lá, deve ter sido realmente fantástico. Fazer intercâmbio é uma experiência única, e digo a todos que tem a oportunidade: FAÇAM! Vale muito à pena. Raquel é prova disso.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Macarons, que delícia!



Estávamos numa roda de amigos, muitos dos quais bastante viajados, e eis que descubro que vários deles não conheciam “macarons”. Na hora, pensei: isso vai virar um post para meu blog, certamente. 
Para começar: macarons não tem nada a ver com macarrão. O primeiro é um biscoito doce, o segundo é uma massa. Não confunda um com o outro. A pronúncia e a escrita são diferentes.
Vamos começar pelo básico: pronuncia-se ‘macarrons,’ em português, com som de RR, pois vem do francês, e, além disso, meu cérebro não me deixa falar macarons com som de R, fica muito feio!  
Eu descreveria-o como um biscoito com uma textura única, uma mistura de merengue + bolo + biscoito, mas não é nenhum dos três. Só quem prova entende o que quero dizer. São crocantes por fora e macios por dentro. Tem um recheio cremoso, que varia conforme o sabor escolhido. Existem vários sabores de macarons, e por conseqüência eles se apresentam em muitas cores.
Existe um ingrediente diferente e pouco conhecido no Brasil que vai na receita dos macarons, que é a farinha de amêndoa. Não é fácil de encontrá-la, mas em Caxias do Sul já existem lugares que vendem-na. Não é um ingrediente barato, o que contribui para que os macarons sejam um produto elitizado.
Em Caxias, até hoje o único lugar em que encontrei macarons para vender foi na Sweez (https://www.facebook.com/sweez), confeitaria que fica no bairro São Pelegrino (Rua Coronel Flores, 749, sala 3). O custo é R$ 2,50 por macaron (valor em janeiro de 2013).Parabéns aos proprietários por trazerem esta delícia para a serra gaúcha, adoramos!
No ano passado (2012), foi oferecido curso de macarons para leigos, na Escola de Gastronomia Sal a Gosto (http://www.escolasalagosto.com.br/), que fica na minha querida cidade. Eu infelizmente não pude participar naquela ocasião, mas penso em fazer se o curso for oferecido novamente, embora eu saiba que é difícil de conseguir reproduzir a receita em casa. Como eu sou metida, eu gosto de saber como as coisas são feitas. Então mesmo que eu nunca vá fazer em casa, me dá prazer de provar um alimento e saber o processo pelo qual ele passou até chegar ao meu prato, e isso leva-me a valorizar ainda mais o que estou saboreando.
Adriano Medeiros, formado em gastronomia pela UCS/ICIF, contou-me que precisou fazer 12 vezes a receita de macarons até conseguir executá-la com maestria. Disse que é difícil acertar o ponto da massa, e como ele tem muitos equipamentos, batederias, fornos, e também é muito perfeccionista, foram necessários vários testes até conseguir chegar ao macaron perfeito. Mas quando conseguiu, o prazer foi enorme! E eu acredito plenamente nisso, caro Adriano.
Como a maioria das preparações clássicas, a origem do macaron não é clara e tem séculos de história. Apesar do nome francês, acredita-se que a receita original seja italiana, e tenha surgido em algum monastério, sem uma data precisa - o nome macaron derivaria do italiano maccherone e do veneziano macarone (massa).
Somente durante a Renascença, Catarina de Médici, ao casar-se com Henrique, Duque de Orleans, leva essa iguaria à Corte Francesa. Já os franceses clamam que a receita já era confeccionada anteriormente nos monastérios de Cormery, França, desde o ano de 791. De uma forma ou de outra, no início os macarons eram apenas "biscoitos" de amêndoas sem qualquer recheio.
Durante o séc. XVII os macarons foram comumente confeccionados pelas Carmelitas, que seguiram os princípios de Theresa D’Ávila: “Amêndoas são boas para as jovens que não comem carne.” Durante a Revolução Francesa, duas freiras especializaram-se no preparo e comercialização dos macarons, tornaram-se famosas e passaram a ser chamadas de Souers Macaron (Irmãs Macaron).
Já no séc. XX, Pierre Desfontaines, fundador da famosa Pâtisserie Ladurée introduz um recheio cremoso aos macarons, que assumem assim a forma como o conhecemos atualmente.
Independentemente da origem, os macarons resistem até hoje e figuram nas melhores confeitarias do Brasil e do mundo.
Recentemente abriu em São Paulo uma unidade da confeitaria francesa Ladurée, no Shopping JK Iguatemi. Um amigo me disse que um macaron lá custa R$ 9,00 (dado de 2012).
Para mim, este biscoitinho peculiar é ideal para acompanhar um cafezinho à tarde. Sabe aqueles dias em que você está louco por um doce? Pois bem, esse é o dia de comer macarons. Depois que você experimentar o primeiro, irá querer sempre mais e mais. A maioria das pessoas realmente adora este item único da gastronomia francesa.
Minha dica: se vocês forem experimentar macarons, não comam, degustem. Sintam a textura, que para mim é quase mais interessante que o gosto. Prestem atenção nos sabores. Valorizem este doce que foi muito bem preparado e demorou até chegar no seu prato. Mastiguem devagar. Prestem atenção em cada sensação que ele lhe dá dentro da boca. E, aí sim, chamem o garçom e peçam mais um, porque vale à pena.

Referências:
Confeitaria Sódoces, de Flavio Federico
Larousse Gastronomique

Evite problemas no aeroporto


O aeroporto é o lugar onde todas as emoções se encontram. Você já parou para observar pessoas e comportamentos em aeroportos? Você vai ver gente com medo por andar de avião. Gente feliz por estar chegando de uma viagem. Gente realizada por estar indo fazer uma viagem de sonhos. Gente nervosa e estressada porque perdeu o vôo. Gente cansada de tantas horas de espera. Gente triste por estar se despedindo de uma pessoa querida. Gente impaciente por ter que aguardar e entrar em filas. Gente reclamando. Gente de todos os tipos, de todas as tribos, de todas as idades.
Aeroporto é um lugar onde as emoções estão à flor da pele. Então é importante tomar alguns cuidados para não ter problemas lá. Seguem algumas dicas para evitá-los:

- A regra número um é: chegue cedo ao aeroporto. Antecipe-se. Faça seu check in com calma, tome um café, compre uma revista. Afinal, chegar no aeroporto correndo, ter que encarar uma baita fila no check in, sem saber ao certo se irá conseguir pegar o vôo ou não é muito ruim.
- Dois ou três dias antes da viagem, reconfirme o horário do seu vôo. Pode ser que ele tenha sido alterado pela cia. aérea desde a data que você comprou até a data da sua viagem. E você não vai gostar de descobrir que seu vôo já partiu ou então que só partirá daqui a muitas horas somente quando chegar no aeroporto, né? Se você comprou em agência de viagens, seu agente deverá lhe avisar caso haja alguma alteração. Se comprou na internet ou direto na loja da cia. aérea, ligue para o call center deles e reconfirme os dados e horários de seu vôo.
- Antes de sair de casa, revise se você pegou todos os documentos necessários para o embarque. De nada adianta chegar no horário no aeroporto sem os documentos para embarcar. E estressar a família para ir correndo levá-los para você no aeroporto pode até resolver o problema, mas trará ansiedade para ambos os lados.
- Ao calcular o tempo que você levará para chegar no aeroporto, lembre-se de que ao chegar, se você for de carro, também terá que estacionar. E muitas vezes os estacionamentos dos aeroportos estão lotados ou tem filas. E não há nada mais irritante do que ter chegado no horário, mas perder o vôo porque você não conseguiu estacionar a tempo. Dica: se o estacionamento do aeroporto estiver lotado, e tiver uma lavagem de carros dentro do aeroporto, experimente deixar o carro para lavar. Já me aconteceu em Porto Alegre esta situação, havia uma fila enorme para estacionar, e pedi para deixar o carro na lavagem e passei na frente de todos e arrumei uma vaga. O carro ficou lá parado alguns dias, mas controlei a quilometragem e ninguém andou com ele. E de quebra peguei o carro limpinho na volta!
- Se você já sabe que terá excesso de bagagem, deve chegar mais cedo ainda ao aeroporto, pois precisará de um tempinho a mais para pagar as taxas extras.
- Após fazer o check in, confira seu cartão de embarque, o horário, seu nome, seu vôo, seu portão e seu assento. Erros acontecem, não espere para descobrir que seu cartão de embarque está errado somente quando for entrar no avião. (Leia o post “Roberta Matias = Eduardo Martins” e entenderá perfeitamente o que estou querendo dizer). Confira também qual é o terminal em que você está e de qual terminal seu vôo parte. Existem terminais que ficam a quilômetros de distância do outro e é necessário pegar trem ou ônibus para se deslocar, e isso toma tempo.
- Não espere o horário marcado no cartão de embarque para passar pelo portão de embarque, especialmente se estiver no exterior. No Brasil em geral não tem muita fila, mas nos Estados Unidos, por exemplo, você tem que tirar o sapato, fazer escaneamento do corpo, e muitas vezes tem a bagagem de mão totalmente revistada. Nas cidades grandes, em todo o mundo, os aeroportos são enormes e você pode levar um bom tempo até chegar ao seu portão de embarque.
- Muitas pessoas perdem o vôo dentro do próprio aeroporto porque não prestam atenção na chamada de vôo, ou dormem, ou se distraem tomando café. Então, fique atento, pois o avião partirá com ou sem você.
- Por fim, caso você tenha algum problema no aeroporto, lembre-se de que os agentes de aeroporto que estão lá estão percebendo que você está nervoso e estão tentando te ajudar. Gritar com eles não irá solucionar o problema. Então, mesmo que você tenha razão e precise se impor, faça-o com educação. São pessoas que estão trabalhando sob constante estresse e merecem nosso respeito, sobretudo. Admiro quem tem coragem de trabalhar em aeroporto, eu não teria.
- Tenha sempre à mão o telefone do seu agente de viagens. Ele pode lhe ajudar, caso você perca o vôo ou tenha algum outro problema no aeroporto. Faz parte do trabalho dele.

Não esqueça: perder um vôo custa caro e traz muita dor de cabeça. Evite esta situação.
Se é para ter emoções no aeroporto, que sejam somente as boas, né?
Espero que tenham gostado da reflexão e das dicas!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Receita de bolo de cenoura da Roberta


Domingo é dia de bolo! Você está em casa, sem fazer nada, no maior tédio. Que tal experimentar esta receita? Você se distrai e ainda ouvirá elogios de quem experimentar. Fica perfeita, eu garanto. Você nunca mais irá comprar mistura para bolo no supermercado depois de testá-la.

Ingredientes:
- ½ xícara de óleo
- 3 cenouras médias sem casca
- 4 ovos
- 2 xícaras de açúcar
- 2,5 xícaras de farinha de trigo
- 1 colher de sopa de fermento em pó

Modo de preparo:
1) Bater no liquidificador as cenouras, ovos e óleo até formar uma massa homogênea.
2) Acrescentar o açúcar e bater bem. (Se o seu liquidificador não for potente, é melhor bater à mão a partir desta etapa, pois ele não dará conta).
3) Numa tigela, despejar o conteúdo e acrescentar a farinha e misturar bem. Dica: para não embolar, o ideal é peneirar a farinha antes. Se você não tiver peneira, o coador serve.
4) Acrescentar o fermento e misturar bem.
5) Untar a forma do bolo e despejar o conteúdo nela.

Pré-aquecer o forno a 180ºC por 15min.
Tempo de cozimento: 40 a 45min (depende do forno).

Sugiro cobertura de negrinho (ou brigadeiro, para os não-gaúchos) para acompanhar. Basta fazer a receita tradicional de negrinho (cozinhar 1 lata de leite condensado + 1 colher de sopa de manteiga ou margarina sem sal + 2 colheres de sopa de chocolate em pó) e deixá-la mais mole do que o negrinho. Depois de pronta, é só colocá-la em cima do bolo e deliciar-se.

Como tudo começou – parte 2


Agora que vocês já sabem como começou minha paixão por gastronomia, vou contar como começou minha paixão por viagens.
Sou geminiana, então sou curiosa e movida a novidades por natureza. E uma viagem desperta estes dois lados, curiosidade por estar lidando com locais desconhecidos e fascínio porque são coisas fora do cotidiano, da rotina.
Quando eu era criança, fiz algumas viagens em família, que foram todas fantásticas. Lembro-me de todas perfeitamente, tanto as que fizemos de carro, que foram muitas, quanto as que fizemos de avião. A minha primeira viagem de avião teve uma conexão em São Paulo. Quando pousamos, eu logo perguntei para a minha mãe se faltava muito tempo para andarmos de avião de novo, estava ansiosa para entrar naquela máquina maravilhosa mais uma vez.
Quando terminei colégio, comecei a faculdade de Direito. Porém, a primeira oportunidade de emprego que apareceu para mim foi um estágio em uma agência de viagens, com a qual eu fiquei animadíssima. Lembro-me até hoje da entrevista e do dia em que meu ex-chefe, o Gilmar, me ligou para me dizer que eu havia sido escolhida para a vaga. Que emoção! Eu iria trabalhar em uma agência de viagens! Logo na primeira semana eu queria aprender tudo. Queria saber tudo o que a agência fazia. O que era o programa de milhas. O que era uma franquia. O que era o Galileo (sistema que usávamos na época para emitir passagens aéreas). Como se emitia um bilhete. Como se fazia uma reserva. O que era a máscara de um bilhete.
Eu era estagiária, e minha função não era vender, e sim apenas auxiliar as vendedoras a atender o telefone, servir café, abrir a porta. Não me contentei. Comecei a estudar os comandos do sistema e pedir para a coordenadora me ensinar a mexer nele. Fui a Porto Alegre fazer cursos, todos pagos pela agência, que era a melhor da cidade. Tive a fortuna de ter o primeiro emprego na maior e melhor agência do país na época. Eu adorava trabalhar lá. Ía embora no final do expediente já ansiosa pelo dia seguinte de trabalho. Um belo dia, todas as vendedoras estavam no telefone. Eu atendi uma ligação e era um cliente que queria comprar uma viagem. Criei coragem e fiz a venda, apesar de ser somente estagiária. Fiz uma, duas, três, dez vendas. Quando vi, eu me tornei vendedora também. Fui efetivada. Era o máximo. Eu ficava muito feliz de poder ajudar as pessoas a viajarem, pois já tinha tido o gostinho de viajar quando era criança e sabia o quanto era bom. Eu pensava que estava fazendo aquelas pessoas felizes. Aprendi muito neste meu primeiro emprego. Aliás, grande parte do que sei hoje devo a este meu primeiro emprego fantástico. Visitava clientes, atendia amigos, conhecia pessoas novas. Fui muito feliz lá. Deram-me oportunidade de participar de dois famtours (são viagens grátis para agentes de viagens conhecerem lugares, hotéis, passeios, para depois venderem para seus clientes) e me concederam descontos para ir para o Canadá. Saí da agência para fazer intercâmbio. Quando voltei, trabalhei em duas outras agências até abrir a minha própria agência.
Durante o meu intercâmbio, conheci uma parte da Europa. Adquiri uma ótima experiência que uso até hoje para montar roteiros.
Viajar é viciante. Depois que você começa, não pára mais. Nós, agentes de viagens, temos vantagens e descontos para viajar. E eu aproveito-os para mim. E todas as minhas viagens se transformam em conhecimento para ajudar meus clientes a viajarem também. É perfeito, não?
Eu amo o que eu faço. Não tem um dia da minha vida que eu não fale de viagens. Mesmo que eu não esteja trabalhando, sempre tem alguém que me pergunta algo de viagens. E o melhor de tudo é que eu consigo falar de viagens, dar dicas e idéias sem sentir que eu esteja trabalhando.
A frase de Confúcio não poderia ser mais verdadeira: “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Roberta Matias = Eduardo Martins


Vou contar para vocês uma história que aconteceu comigo há alguns anos. Fui passar um final de semana em Curitiba, para visitar meu então namorado, que estava morando lá. No domingo eu tinha que voltar para Caxias, pois na segunda de manhã eu trabalhava. Na época era empregada de uma agência de viagens, ainda não tinha a minha própria agência.
Eu mesma emiti a minha passagem Curitiba/Porto Alegre, com a Tam. O vôo era no final da tarde. Cheguei ao aeroporto com uma hora e meia de antecedência. Como sou muito prevenida, apesar de hoje em dia só existir bilhete eletrônico e não ser obrigatório levá-lo impresso, dei-me o trabalho de imprimir, e coloquei-o no bolso externo da minha mala. No check in, apresentei apenas a minha identidade e informei o vôo em que eu estava. Peguei o cartão de embarque, sem olhar, e coloquei-o na minha carteira. Despedi-me do meu namorado e fui para o portão de embarque.
Quando estava prestes a entrar no avião, peguei o cartão de embarque para olhar a minha poltrona. Eu havia marcado assento janela para mim, porém, ao olhar o cartão de embarque vejo que a poltrona marcada era a 13E, que é o assento do meio. Na hora, pensei “putz, a moça do check in deve ter trocado o meu assento e não percebi”. Aí olhei com mais atenção para meu cartão de embarque, e levei um baita susto: EDUARDO MARTINS. Eis que meu nome é Roberta Matias. Martins é parecido com Matias, certo? Presumo eu que a moça tenha procurado a minha reserva pelo sobrenome, achou um “Martins” no vôo, e nem sequer viu que era um nome de homem. Ela fez meu check in como “Eduardo Martins”. Ao perceber o erro, imediatamente procurei o pessoal de terra da Tam e informei sobre o engano, e pedi para que trocassem meu cartão de embarque, pois não queria problemas com as minhas malas, e queria que contasse as minhas milhas direitinho. A atendente da Tam disse que o vôo iria atrasar se eles tivessem que refazer meu check in e que era para eu entrar no avião com aquele cartão de embarque mesmo. Insisti, mas ela categoricamente negou. Perguntei “ok, onde eu sento então? Na janela que eu tinha reservado para mim ou neste assento 13E?”. Ela disse para eu sentar na poltrona 13E.
Entrei no avião, que estava lotado. Ao chegar na poltrona 13E, adivinhem quem estava lá? Ele mesmo... EDUARDO MARTINS! Quase caí pra trás. Fizeram dois check ins para o Eduardo (um para mim e um para ele). Consideraram que Roberta Matias deu no show (não compareceu ao vôo) e venderam meu assento para outra pessoa. Ou seja, não tinha mais lugar para mim naquele avião. Eu bati o pé e disse que eu estava naquele vôo sim, que aquela situação era um absurdo. Então pediram para ver meu bilhete. Eu disse que estava na mala, que por sua vez estava no bagageiro do avião. Como eu já tinha feito o check in, não pensei que pudesse precisar do bilhete para nada, então despachei-o junto com a mala.
Neste momento entra um segurança da Tam, me pega pelo braço e me tira do avião. Foi muito constrangedor. Peguei o celular na mão para fazer uma ligação e ele disse, muito grosseiramente, que era proibido usar telefones naquela área do aeroporto. Implorei para pelo menos tirarem a minha mala de dentro do avião, já que a essas alturas eu tinha perdido a esperança de ir naquele vôo. Pelo menos isso eles fizeram. Passei meia hora explicando o que tinha acontecido, até que finalmente um supervisor da Tam veio me pedir desculpas e a moça que fez meu check in errado veio chorando me pedir perdão. Por sorte, eu estava em uma época muito feliz da minha vida e fiquei toda faceira de ficar um dia a mais em Curitiba com o namorado. Fui acomodada em um outro vôo somente no dia seguinte, que por sua vez atrasou, cheguei no trabalho às 16h, levei uma baita mijada da minha ex-chefe. Não processei a Tam porque não tinha testemunhas do que aconteceu, já que as elas foram embora junto com o vôo do qual os funcionários da cia. aérea me tiraram.
Então, meus amigos, desde este episódio, sempre que eu faço check in eu olho se é mesmo o meu nome que está escrito, se o vôo está certo e se a poltrona está marcada corretamente.
Por mais que a gente tenha tecnologias e sistemas cada vez mais avançadas, não podemos esquecer que são seres humanos que estão operando as máquinas, e que erros podem acontecer. E que prevenir nunca é demais.

Dê férias para a dieta


Este post é dedicado à Carol, uma menina de 15 anos, magra, alta, que tem o corpo dos sonhos de muitas gurias por aí.
Carol vai ir para a Disney em fevereiro. Presente de 15 anos dos seus pais. Aliás, presentão, né? Vai passar duas semanas lá. Nada poderia ser melhor para uma adolescente, não?
Pois bem. Carol está preocupada. Não quer engordar na viagem. Já está fazendo dieta antes de ir e está pensando no que irá comer lá. Disse-me que sua maior preocupação durante a viagem é essa. Ela não quer aumentar nenhum centímetro do seu esbelto corpo.
Carol, relaxa. Sair férias significa se desligar de todos os compromissos, horários, obrigações. E a dieta é um deles. Então, enquanto você estiver lá, não se torture com as calorias. Coma, beba, aproveite. Não olhe os rótulos, não pense, não se culpe. Quando você voltar, terá tempo para tudo isso, e com um pouco de esforço, conseguirá se recuperar, se precisar.
Não estou fazendo uma apologia ao exagero, de se matar comendo, e sim de simplesmente se liberar da chatice que é ter que se controlar na comida. Eu penso que em uma viagem a gente deve experimentar os sabores e pratos típicos do local, isso faz parte de interagir com a cultura. Quem já foi para os Estados Unidos sabe que a comida deles é bem mais gordurosa do que a brasileira, mas ninguém vai morrer se comer um hambúrguer verdadeiramente americano. Eles também têm coisas boas, como o delicioso bagel (pãozinho redondo em forma de anel, de origem judia), que eu adoro e não tem aqui no Brasil, principalmente tostado com manteiga. Hmmm! Eu jamais comeria isso no café-da-manhã aqui, mas quando vou para os EUA eu como sem culpa.
Se você vai para um lugar com uma culinária bem diferente da nossa, aí sim, recomendo que pegue leve, principalmente no começo. Tenho um amigo que foi para a China e resolveu experimentar gafanhoto e bebidas que nem sabia o que era. Resultado: ele me ligou do hospital, para me avisar que iria passar uma ou duas noites lá por intoxicação alimentar, e me pediu encarecidamente para não avisar a mãe dele, para ela não ficar preocupada, mas estava me avisando porque queria que alguém soubesse da sua situação, caso algo mais grave viesse a acontecer.  
Por fim, se vocês forem para a China, por favor, não comam cachorro. E se comerem, por favor, não me contem. Obrigada!

Como tudo começou - parte 1


Por sugestão da minha amiga querida Thaís L., o primeiro post de verdade do blog será dedicado a contar como começou a minha paixão por gastronomia.
Bom, eu sempre gostei de comer. Tem gente que não sente muito prazer com o ato de comer em si, mas infelizmente ou felizmente (depende do ponto de vista, dieta é difícil de eu conseguir fazer, mas ao mesmo tempo é muito bom desenvolver prazer através do paladar), eu tenho sensações maravilhosas ao degustar alguns (vários, na verdade) tipos de alimentos e bebidas. Quando eu era criança, minha mãe gostava de cozinhar. Fazia até massa em casa. Até mesmo agnolini (forma carinhosa que os caxienses chamam massa tipo “cappeletti”)!. Não sei exatamente por que motivo, mas quando eu tinha uns 10-12 anos minha mãe se rebelou com a cozinha e parou de cozinhar. E eu, em fase de crescimento, queria c-o-m-e-r, óbvio! Então olhei para o fogão e pensei: precisamos iniciar um relacionamento já! Adivinhem qual foi o meu primeiro prato? Arroz e ovo. Ou seja, de fome eu não morria mais. Aos poucos, pedi à nossa empregada para me ensinar a fazer outras coisas. Massa alho e óleo, pipoca na panela, bolos, muitos bolos.
Minha avó paterna era cozinheira, sempre trabalhou em restaurantes, e pedi para ela me ensinar alguns pratos. Ela, toda orgulhosa, me ensinou o segredo do melhor feijão do mundo, do coelho do restaurante “La Onda” (para quem é de Caxias e lembra do antigo restaurante “La Onda”, que nos áureos tempos foi o melhor da cidade, saiba que foi a minha avó quem ensinou a antiga proprietária a cozinhar!), da perdiz... aos 16 anos, fiz meu primeiro curso de culinária, com o chef Evandro Comiotto, meu primo. Fiz alguns outros cursinhos bem básicos em Caxias, e em 2012 tive uma das maiores realizações da minha vida: fiz alguns cursos de culinária em Paris. Aprendi a fazer os legítimos croissants, pain au chocolat, brioche, baguette, crème brûlée, financiers... Foi uma das melhores coisas que eu fiz por mim. Eram cursinhos de uma manhã ou uma tarde, para turistas. Recomendo. Posso indicar as escolas para quem se interessar. É o máximo.
Não sou chef, não sei picar cebola em 5 segundos, não sou profissional da gastronomia. Sou apenas alguém que aprecia um bom prato, bem preparado, com capricho, com bons ingredientes. Alguém que valoriza o ato de comer e de beber, pois é algo que a gente faz todos os dias, desde o dia em que nasce até o dia em que morre. Já que morrer todo mundo vai, pelo menos eu não vou morrer de fome. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Roberta, muito prazer!


Quem sou eu? Boa pergunta. Quem nunca se perguntou isso? Eis que hoje, ao criar o blog, me foi feita esta pergunta ao completar o perfil.
Resumidamente, sou uma pessoa apaixonada por boa gastronomia, que aprecia os diversos sabores e cheiros da comida e da vida.
Trabalho em uma agência de viagens, e todos os dias que eu acordo eu sinto prazer de saber que irei passar meu dia trabalhando com isso, ajudando pessoas a transitarem por esse mundão lindo e cheio de oportunidades, seja a lazer ou a negócios.
Por fim, sou uma pessoa que ama. Ama a vida, os amigos, a família, ler, escrever, dar risada. Aprecia as coisas boas que tem e as muitas outras que estão por vir.
Não fica difícil deduzir por que o blog se chama “comer, viajar e amar”, não?
Espero que gostem!

Abraços a todos os que dedicarem alguns minutinhos do seu dia para lerem as minhas postagens.